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Cesta Dupla com Nian Pissolati Lopes e João Kelmer

Centro de Estudos Ameríndios USP

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Cesta Dupla com Nian Pissolati Lopes e João Kelmer

109 просмотров · 9 месяцев назад
Centro de Estudos Ameríndios USP
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Nian Pissolati Lopes: Os sons e os outros: reflexões sobre a arte verbal do povo Nadëb (Alto Rio Uneiuxi, Noroeste Amazônico) O povo Nadëb habita o interflúvio dos rios Negro e Japurá, no Noroeste Amazônico brasileiro e seu idioma pertence à família linguística Naduhup, da qual fazem parte também o Dâw, Hupd’äh e Yuhupdeh. Na literatura especializada, os povos falantes dessas línguas são geralmente caracterizados pela alta mobilidade espacial e por terem vivido, até um passado recente, principalmente em regiões de cabeceiras de igarapés no interior da mata. Nesta apresentação, exibo algumas traduções de cantos e benzimentos realizadas em parceria com professores e especialistas nadëb a partir do repertório que registrei em pesquisa de campo entre 2016 e 2019 no Alto Rio Uneiuxi (AM). Proponho, então, uma reflexão sobre o regime sonoro e a arte verbal nadëb e seu papel no sistema de relações interespecíficas em momentos e espaços cotidianos e rituais. A discussão considera, também, as alianças criadas com outros grupos humanos. Teço, ainda, breves considerações sobre elementos presentes neste repertório à luz de aspectos observáveis na arte verbal xamânica rionegrina. João Kelmer: Por que choram os cantores Boe (Bororo)? Luto, tempo e nostalgia em um ritual funerário centro-brasileiro Durante as performances de canto nas cerimônias funerárias boe, é comum ver os cantores derramarem lágrimas. O que desperta seu luto, explicam eles, não é a morte mais recente, mas a lembrança dos cantores já falecidos que, em outros tempos, entoaram essas mesmas palavras. Suas vozes e maracás evocam a presença de outros, mas apenas para negá-la. Essa ruptura com seus mestres, por sua vez, amplifica-se em um sentimento mais abrangente de perda “cultural”. Tomando os cantos e os lamentos como fio condutor, esta apresentação explora três dimensões temporais dessas performances rituais e da constituição dos chefes-cantores boe: a biográfica, a intergeracional e a metacultural ou “histórica”. Busca-se, assim, mostrar como um ritual voltado à elaboração da ruptura geracional e da perda faz destas imagens um modelo para pensar o passado, o presente e o futuro coletivos — um mecanismo que converte o luto em nostalgia. Por fim, argumento que essas imagens do tempo não expressam um pessimismo passivo e contemplativo, mas sim uma forma ativa de nostalgia que transforma pessoas no presente e constitui a própria força que impulsiona a vida ritual em direção ao futuro.