A CIDADE DOS ESTRANGEIROS NO INTERIOR DA COREIA | Comida uzbeque e um reino esquecido
Gilson Nunchi
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A CIDADE DOS ESTRANGEIROS NO INTERIOR DA COREIA | Comida uzbeque e um reino esquecido
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Gilson Nunchi
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Neste vídeo, viajo até Gimhae, uma cidade no interior da Coreia do Sul, localizada ao lado de Busan, onde ruínas de um antigo reino convivem com fábricas, imigrantes e restaurantes vindos de lugares distantes.
Começo a caminhada diante da tumba do rei Suro, fundador de Garakguk, o principal reino da antiga Confederação de Gaya. Segundo a lenda, Suro teria nascido de um dos seis ovos dourados enviados pelo céu. Sua esposa, Heo Hwang-ok, teria atravessado o mar desde um reino distante da Índia para se casar com ele, trazendo consigo pedras, crenças e histórias que ainda fazem parte da identidade de Gimhae.
Mas a cidade não vive apenas de seu passado.
Na Global Food Street, placas em russo, vietnamita, árabe e outros idiomas transformam uma rua coreana em um pequeno mapa da Ásia. Trabalhadores do Uzbequistão, Vietnã, Bangladesh, Indonésia e de outros países chegaram à região atraídos pelas fábricas, fazendas e indústrias próximas. Em alguns trechos, é mais fácil encontrar estrangeiros do que coreanos.
Entro em um restaurante uzbeque para experimentar plov, pão assado nas paredes de um forno tradicional, samsa e chá. A partir dessa comida, conto também a história dos Koryo-saram: os descendentes de coreanos que viviam no extremo leste da Rússia e que, em 1937, foram deportados por Stalin para a Ásia Central.
Depois, visito o café Myeongwol, construído em uma casa tradicional coreana, onde um jardim coberto de musgo desaparece lentamente sob uma névoa artificial. É um lugar bonito, silencioso e quase suspenso no tempo, próximo de uma região que também guarda algumas das minhas próprias memórias na Coreia.
No final do dia, começo a subida até Bunsanseong, uma antiga fortaleza construída no alto da montanha. A chuva aumenta, a luz diminui e a trilha atravessa uma floresta de bambu completamente vazia. Sem encontrar ninguém pelo caminho, sigo entre sons de pássaros, árvores balançando e lembranças de um jogo coreano que marcou minha adolescência.
No topo, encontro as ruínas da muralha, um templo budista praticamente vazio e uma pagoda que, segundo a tradição local, teria sido trazida da Índia pela rainha Heo Hwang-ok há quase dois mil anos.
Gimhae se revela, assim, como uma cidade formada por camadas: um reino desaparecido, uma princesa estrangeira, trabalhadores imigrantes, coreanos da Ásia Central, templos escondidos e memórias pessoais.
Tópicos principais do vídeo:
• A história da Confederação de Gaya e do rei Suro;
• A lenda da princesa indiana Heo Hwang-ok;
• A cidade de Gimhae e sua grande comunidade estrangeira;
• Comida uzbeque e a Global Food Street;
• A deportação dos coreanos para a Ásia Central em 1937;
• A história dos Koryo-saram e dos coreanos de Sakhalin;
• O café tradicional Myeongwol e seu jardim de névoa;
• A subida solitária pela floresta de bambu;
• A fortaleza Bunsanseong e o templo Eunhasa;
• Memória, deslocamento e as diferentes formas de ser estrangeiro.
📍 Gravação feita em Gimhae, Gyeongsangnam-do, Coreia do Sul, durante o verão de 2026.
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00:00 - Início e ambientação: a chegada a Gimhae
00:34 - O mapa e o nome: Gim é ouro, Hae é mar
01:11 - Surowangneung e o reino de Gaya: o túmulo de Suro e a entrada na história antiga
04:59 - Heo Hwang-ok, a princesa indiana: um casamento que cruza continentes
07:32 - O plano do dia: o almoço, o jangma e a muralha lá no topo
08:22 - Global Food Street: placas em russo e vietnamita, a rua como mapa do mundo
10:08 - A indústria naval e o mercado uzbeque: os fornos de pão e as línguas que se misturam
12:01 - Plov, samsa e o Chayhana: almoçando com os locais na Ásia Central de Gimhae
14:55 - O plov de carneiro chega: o paladar brasileiro encontra a comida uzbeque
16:39 - A migração esquecida: coreanos rumo a Vladivostok
17:14 - Setembro de 1937: Stalin deporta 200 mil coreanos para a Ásia Central
18:33 - O retorno dos anos 90: vistos, descendência e os Koryo-saram de volta
20:52 - A guerra russo-japonesa de 1905
22:46 - Ansan e a compensação japonesa: um apartamento para quem voltou da ilha
23:28 - Uma história que excede a península
24:54 - O café Myeong Wol: um hanok escondido ao lado da tumba do rei
29:07 - A chuva aumenta: o programa de um mês e a dúvida de subir a montanha
30:25 - Pai Chai, dez anos depois
35:01 - A loja sem funcionários: o sorvete World e a economia da confiança
36:53 - Floresta de bambu, nenhuma alma: o caminho que vira algo sinistro
39:12 - O topo de Bunsanseong: a muralha antiga e a cidade inteira aos pés
41:29 - Eunhasa no cume: um templo budista
45:33 - Agradecimentos e horizontes
46:49 - Encerramento: a vista, a aventura e o até mais
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