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Minas dos Carris: histórias que se perdem na imensidão da Serra do Gerês - Portugal

Lugares Encantados em Portugal

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Minas dos Carris: histórias que se perdem na imensidão da Serra do Gerês - Portugal

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Perdidas na imensidão granítica da Serra do Gerês, o complexo localizado próximo da Portela do Homem, a mais de 1.400 metros de altitude, explorou principalmente volfrâmio e mobilizou milhares de pessoas em todo o seu ciclo histórico, que decorreu desde 1941 até à década de 1970. as Minas dos Carris representam um património de memórias esquecidas pelo Homem, inseridas em pleno interior da área protegida do Parque Nacional da Peneda-Gerês, tratou-se de um intenso complexo mineiro de extração de volfrâmio, com uma história dividida em três fases principais. A exploração das Minas dos Carris pode ser dividida em várias fases distintas, não tendo em conta as explorações artesanais, que podem ter ocorrido antes do estabelecimento da primeira concessão legal. A primeira fase teve início durante a Segunda Guerra Mundial, com uma exploração de trabalhos executados entre 1941 e 1943 onde a exploração é feita em aluvião ou com o auxilio de pequenas perfurações, sendo uma exploração mais rudimentar, o que levou a uma nova fase mais a serio que decorreu durante os anos de 1943/1944/1945 já com grande alargamento na exploração, com iniciação em profundidade levada a cabo por uma empresa portuguesa denominada Sociedade das Minas dos Castelos, Lda. que extrai volfrâmio para ajudar na máquina de guerra nazi. Alguns dos edifícios ainda visíveis hoje no complexo mineiro, são contemporâneos desta fase da exploração. O segundo período de exploração, o mais intenso ocorreu durante a Guerra da Coreia (1950-1953), impulsionado pela alta procura mundial deste mineral estratégico para indústria bélica. Nesta fase o complexo desenvolveu-se numa aldeia mineira socialmente avançada e tecnologicamente sofisticada. A Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. passa a ser dirigida por uma comissão liquidatária nomeada pelo estado português até que em princípios dos anos 50 as concessões são compradas e concessionadas à Sociedade das Minas do Gerez, Lda. é esta sociedade que vai levar a cabo uma nova fase de exploração mineira ao mesmo tempo que vai dotar o complexo de estruturas mais modernas e avançadas por forma a rentabilizar a extração mineira. Os trabalhos serão levados a cabo durante 1957/1958, altura em que a mina é abandonada novamente até ao início dos anos 70. A terceira e última fase foi menos intensa, ocorrendo entre 1971 até 1975, antes do fecho irrevogável da mina, marcando desta forma a fase final de exploração mineira, havendo uma última tentativa de reativar as Minas dos Carris nos princípios dos anos 80 que entretanto não teve sucesso, muito em parte devido à implementação do Parque Nacional da Peneda-Gerês e das emergentes preocupações ambientais. O minério principal extraído nas Minas dos Carris, além de outros, eram o volfrâmio (tungsténio) extremamente valorizado durante a Segunda Guerra Mundial pela sua utilização na indústria bélica (fabrico de obuses, granadas e explosivos), o que motivou a exportação de milhares de toneladas para a Alemanha. O filão principal estendia-se por cerca de 750 metros e era constituído por veios de quartzo com volframite, inserido em terrenos graníticos. O número de trabalhadores nas Minas dos Carris variou significativamente ao longo das diferentes fases de exploração: Durante a abertura da estrada e construção inicial (1943), trabalharam cerca de 3.000 pessoas. No auge da exploração mineira durante a Segunda Guerra Mundial, operaram aproximadamente 200 a 300 trabalhadores no complexo, dos quais cerca de 120 mineiros ativos. Na fase de reabertura nos anos 1970, mais especificamente em 1971 o número baixou para cerca de 86 pessoas. Após o abandono, as estruturas degradaram-se, restando hoje apenas ruínas e memórias. Foram milhares de vidas que durante muitos anos lutaram para tirar da terra o parco sustento ou a fugaz fortuna de quem nada tinha e que do dia para a noite conheceu a riqueza no alto de um apogeu endinheirado, que infelizmente a mais vil miséria humana não conhece limites no que toca a gastos para a sua auto destruição, e satisfazer o lobbie da indústria da morte, mas que entretanto mergulha de volta na mais vil miséria quando os homens decidem a paz. Toda esta região é áspera e dura, mas ao mesmo tempo de grande beleza natural, completamente rodeada de majestosas montanhas. Para se percorrer, são cerca de 12 quilómetros a pé pela antiga estrada por onde era escoado o respetivo mineral volfrâmico, um trilho que vai ao longo de todo o vale do Rio Homem, hoje quase irreconhecível, e um verdadeiro calvário para aqueles mais aventureiros, derivado á erosão das chuvas que deixaram a superfície do trilho áspera e pedregosa, sendo que nalgumas áreas, a vegetação quase que cobre o trilho. No entanto, para se fazer este antigo caminho quase irreconhecível que vai desde a Portela do Homem até às Minas dos Carris é necessário ter uma autorização pedida com alguma antecedência ao (ICNF) para se poder percorrer o trilho. O pedido pode ser feito através do email: pnpg@icnf.pt