Fausto (CCB 1999 nº03) - os soldados de baco (letra)
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Fausto (CCB 1999 nº03) - os soldados de baco (letra)
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__ Os Soldados de Baco __
Composição: Fausto Bordalo Dias
Concerto no Centro Cultural de Belém, 1999
Lista de Fausto: • Fausto - lembra-me um sonho lindo . foi po...
Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias (26 de novembro de 1948 - 1 de julho de 2024) - Foi um renomado cantor e compositor português, conhecido pelas suas letras poéticas e por abordar temas históricos, sociais e culturais. Frequentemente utilizava instrumentos tradicionais portugueses, combinados com sonoridades modernas, criando uma fusão única de estilos.
Fausto foi uma figura central na música popular portuguesa, a sua obra continua a ser celebrada e influente.
Estes vêm feros
E amotinados
Aqueles andam bravos
Muito acossados
Esses são mais grossos
Em algazarras
Os outros mais tamanhos
E estendem as garras
Os bandarras
(Os bailarinos)
Os batizados
(Os babuínos)
Os levantados
(Os paladinos)
Todos provocam malditos aos gritos
E há um rapino de pulo
Escaramuçam larápios
(Bate, bate sobre a terra sobre os céus)
Todos acodem a uma
Muzungos cafres e arábios
(Pega, pega pelas almas pelos céus)
Uns sem lei nem costumes
Mostram as partes traseiras
(Bate, bate sobre a terra sobre os céus)
E tanta gente responde
Mostram-te as partes grosseiras
(Pega, pega pelas almas pelos céus)
Andam em roubos e desnudam
Os que vão derradeiros
(Bate, bate sobre a terra sobre os céus)
Dão de focinhos no chão
Dados por golpes rasteiros
(Pega, pega pelas almas pelos céus)
Vivem de muito as vidas na vida
Hão de viver como soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Estes saltam brutos
Como bugias
Aqueles fazem cruas
Carniçarias
Esses muito indígenas
E carniceiros
Os outros sanguinários
Muito estrangeiros
Os quadrilheiros
(Os esgrimidos)
Os acossados
(Os carcomidos)
Os vergastados
(Os corrompidos)
Todos em sangue lavados aos brados
E alguns dão Santiago
Dão-nos bons e nos maus
(Matas! Mato! Valha-nos Nosso Senhor)
E todos enchem o ar
O céu de pedras e paus
(Mata! Esfola! Misericórdia Senhor)
Uns varados dos peitos
Do espinhaço à outra parte
(Matas! Mato! Valha-nos Nosso Senhor)
Tantas cabeças ao talho
À força dos bacamartes
(Mata! Esfola! Misericórdia Senhor)
Vão fustigados os braços
As pernas e outros lugares
(Matas! Mato! Valha-nos Nosso Senhor)
Dão-nos contrários uivando
Golpes mortais aos milhares
(Mata! Esfola! Misericórdia Senhor)
Morrem de muitas mortes e à morte
Hão de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada
E alguns afrouxam calados
Cortados pelas gargantas
(Matas! Mato! Valha-nos Nosso Senhor)
Todos vomitam de si
Chuvas de setas e lanças
(Mata! Esfola! Misericórdia Senhor)
Uns vão de crânios abertos
Com as medulas de fora
(Matas! Mato! Valha-nos Nosso Senhor)
Tantas ossadas e carnes
Que a lama engole e devora
(Mata! Esfola! Misericórdia Senhor)
Morrem mortos de muitas mortes
E à morte
Hão de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Toda enfeitada de breu
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