A MILONGA DO ÚLTIMO MATE 🔥 Milonga do Laçador de Almas | Rincão
Alma de Rincão
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A MILONGA DO ÚLTIMO MATE 🔥 Milonga do Laçador de Almas | Rincão
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A MILONGA DO ÚLTIMO MATE 🔥 Milonga do Laçador de Almas | Rincão
Naquela manhã, a morte veio me visitar. E eu ofereci mate.
Uma milonga sobre o dia em que um velho gaúcho acordou antes do galo, cevou o mate, sentou no tronco do pai — e encontrou a visita que ninguém convida. Ele não correu. Não tremeu. Ofereceu mate e disse: pode entrar. Mas o quero-quero gritou, a brasa ainda respirava, e o campo sentou ao lado dele e disse baixinho: tu fez o que tinha que fazer.
Composição e direção: Marcelo Marten
Canal: Rincão
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🎶 LETRA COMPLETA
[Intro instrumental]
[Verso 1]
Acordei e o galo ainda não tinha coragem
O céu tava aberto, grande, sem fim
O mate saiu redondo sem eu pedir nada
E o sol nasceu devagar… só pra mim
[Verso 2]
Sentei no tronco onde o velho sentava quieto
Aquele que aguentou o peso dele e depois o meu
O campo inteiro parado, manso, escutando
Como bicho antigo que sabe mais do que eu
[Verso 3]
Lembrei da mãe cantando baixinho no fogão
Enquanto a chaleira roncava no escuro da cozinha
Do pai saindo cedo sem reclamar da vida
E dos guris correndo soltos pelo terreiro o dia inteiro
[Verso 4]
Lembrei dela sorrindo lá na varanda
Segurando a casa inteira sem ninguém notar
Tem gente que vai embora sem fazer barulho
Mas deixa a alma da gente morando no lugar
[Refrão]
Hoje é desses dias que até o vento senta e escuta
Que o sol encosta devagar e não machuca
Hoje é desses dias que se a morte bater na porteira
Eu digo — pode entrar… já paguei o que devia
[Verso 5]
Mas um quero-quero gritou forte na coxilha
E um terneiro respondeu lá no fundo do potreiro
A brasa do fogão ainda tava respirando
E a chaleira chiava pedindo outro mate cevado
[Verso 6]
Levantei devagar, ajeitei o chapéu
Endireitei o lenço sem nem perceber
É como se o pampa inteiro sentasse ao meu lado
E dissesse baixinho — tu fez o que tinha que fazer
[Refrão]
Hoje é desses dias que até o vento senta e escuta
Que o sol encosta devagar e não machuca
Hoje é desses dias que se a morte bater na porteira
Eu digo — senta um pouco… mas hoje eu vou ficar
[Verso 7]
E se amanhã o galo criar coragem outra vez
E o mate sair redondo como saiu hoje cedo
A gente proseia sem pressa, morte velha
Porque enquanto houver brasa… eu ainda pertenço aqui
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🎵 Música original composta e produzida para o canal Rincão
🎬 Direção visual e roteiro: Marcelo Marten
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