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Rosh Chodesh Elul - 2026/5786

Beit Shalom

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Rosh Chodesh Elul - 2026/5786

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Elul: o mês do retorno Elul é o sexto mês do calendário hebraico quando se conta a partir de Nisã, o mês da libertação do Egito, e o décimo segundo quando se conta a partir de Tishrei, o mês das grandes festas. Ocupa sempre 29 dias e, no calendário gregoriano, corresponde aproximadamente ao fim de agosto e ao início de setembro, no coração do verão de Israel, época da colheita. A etimologia mais aceita remonta ao acádio elulu, "colheita" — mas a tradição judaica prefere ler o nome como acrônimo de um versículo do Cântico dos Cânticos (6:3): Ani leDodi veDodi li, "Eu sou do meu amado e o meu amado é meu". Essa leitura já anuncia o tom do mês: uma declaração de amor mútuo entre o povo de Israel e D'us. Mas Elul é, sobretudo, o mês da teshuvá — palavra que significa ao mesmo tempo "retorno", "resposta" e "arrependimento". Ele é a ponte entre o cotidiano e os Dias Terríveis (Yamim Noraim): Rosh Hashaná, o ano-novo, e Yom Kipur, o Dia do Perdão. Todo o mês é dedicado à preparação espiritual — hachaná — para esse encontro. A tradição conta que foi no primeiro dia de Elul que Moisés subiu novamente ao monte Sinai para receber as segundas tábuas da Lei, depois do episódio do bezerro de ouro, e desceu apenas no décimo de Tishrei, Yom Kipur, com o perdão divino concedido. Por isso os quarenta dias que vão de Elul até o fim de Yom Kipur são considerados um período de misericórdia, em que D'us está especialmente próximo. No imaginário hassídico, isso se expressa na imagem do "rei no campo": durante todo o ano, o rei está no palácio, acessível apenas por intermédio de cortesãos; em Elul, o rei sai ao campo, encontra-se com todos, recebe a todos com um sorriso, e qualquer um pode falar-lhe diretamente. D'us, o Rei dos reis, está "no campo" — acessível, próximo, disposto a receber quem se aproxima. Os costumes de Elul materializam essa proximidade. Todos os dias úteis da semana, após as orações da manhã, soa o shofar — o chifre de carneiro —, um chamado de despertar dirigido ao coração: "Despertai, vós que dormis!" A cada toque, ensina o midrash, a alma é convocada a sair do automatismo da rotina e a lembrar-se de sua origem. Além disso, o Salmo 27 (Ledavid Hashem Ori, "O Senhor é minha luz e minha salvação") é recitado duas vezes ao dia, do início de Elul até o fim da festa de Sucot, pois fala da confiança em D'us no momento do julgamento. As orações de selichot — súplicas de perdão — começam em datas distintas: os sefaraditas as iniciam já no primeiro dia de Elul; os asquenazitas, no sábado da semana anterior a Rosh Hashaná, dando à preparação um crescendo que culmina nos Dez Dias do Arrependimento. Mais do que um conjunto de ritos, Elul propõe um programa interior. Os mestres ensinam que é o tempo do cheshbon hanefesh, o "balanço da alma": examinar as próprias ações do ano que passou, reconhecer erros, reparar o que foi danificado. Como o perdão de Yom Kipur alcança apenas as faltas cometidas contra D'us — não as cometidas contra outras pessoas —, Elul é também o mês de buscar a reconciliação com o próximo: pedir perdão, devolver o que se deve, corrigir relações. A tsedaká (justiça solidária) e os atos de bondade ganham ênfase especial, e é costume enviar cartões com os votos de "que sejas inscrito e selado para um bom ano" (ketivá vechatimá tová). O sentido profundo de Elul pode ser resumido em uma imagem: a de um povo que se prepara para o encontro anual com seu Rei, e de um Rei que, em resposta, sai ao encontro de seu povo. É um mês de silêncio ativo — de escuta, de contabilidade interior, de retorno ao essencial. Não por medo apenas, mas por amor: porque, como diz o acrônimo, "eu sou do meu amado e o meu amado é meu". Quando soa o shofar na manhã de Elul, o que se ouve é um convite: o campo está aberto, o Rei está à espera, e a porta do retorno nunca esteve fechada.