Revolução Acreana: 33 homens contra um país — e o Brasil fingiu não ver
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Revolução Acreana: o Brasil não conquistou o Acre — comprou, por 2 milhões de libras esterlinas. E quem pagou o preço de verdade nunca apareceu no recibo.
Esta é a história do Acre, o único estado brasileiro que já foi um país independente — duas vezes. Uma terra que pertencia à Bolívia no mapa, mas onde viviam 40 mil brasileiros: cearenses que fugiram da Grande Seca de 1877 e caíram, no auge do ciclo da borracha, num sistema de dívida sem saída aritmética — o barracão —, cortando seringa de madrugada no meio da floresta. E antes deles, cerca de 150 mil indígenas de dezenas de povos — Huni Kuin, Yawanawá, Apurinã, Manchineri — que a "correria" tratou de apagar. O censo de 2010 registrou 17.500. A destruição está nesses dois números.
Quando a Bolívia arrendou o território ao Bolivian Syndicate, um sindicato de banqueiros de Nova York, começou a Guerra do Acre: um gaúcho veterano da Revolução Federalista, José Plácido de Castro, atacou Xapuri com 33 homens — no dia 6 de agosto de 1902, o feriado da independência boliviana, com a guarnição em festa. O governo brasileiro jurava não ter nada com isso. Enquanto isso, mandava o Barão do Rio Branco transformar a invasão que "não via" em compra: o Tratado de Petrópolis, 2 milhões de libras e a promessa de uma ferrovia que mataria milhares antes de ficar pronta no exato ano em que perdeu a função.
Da estrada de seringa ao cerco de 170 dias em Puerto Alonso; da Ferrovia do Diabo aos 59 anos em que o Acre foi governado como colônia interna, sem voto; dos soldados da borracha esquecidos na floresta ao empate de Chico Mendes em Xapuri — a mesma vila dos 33 — este documentário conta a Revolução Acreana inteira: quem pagou, de verdade, pelo único estado que o Brasil comprou.
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⏱️ CAPÍTULOS
00:00 Revolução Acreana: o preço de um estado — £ 2.000.000
01:31 ATO 1 — O ciclo da borracha: a floresta que virou dinheiro
02:43 Duas voltas por dia: a estrada de seringa
03:50 O barracão: a dívida sem saída aritmética
05:01 Correria — o nome brasileiro do extermínio
06:27 ATO 2 — O mapa que ninguém tinha visto
07:33 O jornalista espanhol que fundou um país
08:47 O contrato com Wall Street
09:28 O agrimensor e o feriado boliviano
10:23 6 de agosto de 1902 — os 33 homens
11:10 A derrota que ensinou a guerra
12:15 O cerco no lugar do assalto
13:22 Puerto Alonso: 170 dias
14:21 ATO 3 — Petrópolis: tratar conquista como compra
15:39 Rui Barbosa disse que não havia nada a comprar
16:41 A Ferrovia do Diabo
18:59 59 anos de colônia interna
20:00 A libertação por abandono
21:16 O empate: Chico Mendes volta a Xapuri
22:32 Quem pagou pelo Acre?
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