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#211 - Medicação trata o transtorno de personalidade Boderline?

Papo de Psiquiatra

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#211 - Medicação trata o transtorno de personalidade Boderline?

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Papo de Psiquiatra
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Neste episódio do Papo de Psiquiatra, abordamos um dos temas mais complexos e desafiadores da prática clínica contemporânea: o uso de medicações no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Diferentemente de transtornos em que a medicação é o alicerce absoluto do tratamento (como no Transtorno Bipolar), no TPB o papel dos psicofármacos é secundário e exige um rigoroso manejo para evitar o excesso de prescrições e a falsa expectativa de cura através da "pílula mágica". A medicação, por si só, não tem eficácia direta sobre os núcleos centrais do transtorno, como a difusão de identidade, o vazio existencial crônico ou as falhas na autonomia interpessoal. No entanto, a regra na clínica é que pacientes com TPB apresentem múltiplas comorbidades. A coexistência de depressão maior, ansiedade, transtornos alimentares ou TDAH demanda tratamento medicamentoso cuidadoso, visto que a melhora do TPB está intimamente ligada ao controle dessas comorbidades. Como abordado no episódio, estudos recentes apontam que tratar os sintomas de desregulação emocional e impulsividade frequentemente antecede a melhora do quadro depressivo como um todo. O raciocínio clínico para a prescrição exige que o psiquiatra identifique sintomas-alvo claros, prescrevendo na menor dose possível e reavaliando periodicamente a eficácia do tratamento. Nesse contexto, os antipsicóticos de segunda geração demonstraram ter o maior tamanho de efeito para a contenção da agressividade e impulsividade em curto prazo. Por outro lado, estabilizadores de humor que outrora representaram uma grande esperança (como a lamotrigina) provaram-se, em estudos randomizados recentes, não ser superiores ao efeito placebo para os sintomas primários do TPB. Acima de tudo, o episódio reforça que a prescrição no TPB deve ser um ato colaborativo, estimulando a auto-observação do paciente. O psiquiatra deve compartilhar decisões e evitar a polifarmácia reativa, frequentemente gerada pelo acúmulo de medicações em idas frequentes ao pronto-socorro. Tratamentos bem estruturados, mesmo que generalistas e não atrelados a uma linha específica de psicoterapia, mostram-se essenciais para a evolução e a proteção da vida desses pacientes. Acesse o nosso site para conferir o sumário completo de todos os nossos episódios: papodepsiquiatra.com.br Hosts: Dr. Marcelo Brañas @drmarcelobranas Dr. Marcos Croci @drmarcoscroci Dr. Pedro Rosa @drpedrogomesrosa.