SOU PESCADOR LUSITANO
ANTONIOMUSICAL59 ®
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SOU PESCADOR LUSITANO
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SOY PESCADOR LUSITANO
Sou pescador lusitano,
filho do vento e do mar,
quando lançar minhas redes,
hei de saber o que o mar
quis guardar.
Talvez entre os peixes
venha o teu coração,
que ficou preso à minha barca
quando parti sem dizer
adeus, não.
Tu ficaste lá no cais,
a rezar diante do mar,
à Nossa Senhora dos Navegantes,
pedindo que a noite me deixe voltar.
E o teu coração, tão triste,
foi atrás da minha barca,
quando me viste partir.
Desde esse dia, minha vida
é esperar por ti.
Sou pescador lusitano,
onde estará teu coração?
Foi atrás da minha barca,
perdeu-se na tua oração.
Tu ficas lá no cais,
rezando diante do mar,
à Nossa Senhora dos Navegantes,
para que me faça voltar.
A noite acende os seus olhos
nas águas do mar,
e tu contas as estrelas,
uma por uma,
para me ver chegar.
O vento traz teu perfume,
tua voz vem com o sal,
e cada onda que atravesso
me pergunta baixinho:
Onde está o meu amor?
Onde estará?
Sou pescador lusitano,
já conheci a tempestade,
já levei o medo no peito
e a saudade
como uma verdade.
Quantas noites sem lua,
quantos céus sem luar,
e eu agarrado ao leme,
só pensando em voltar.
Porque sei que lá no porto
há dois olhos sobre o mar,
e duas mãos que se juntam
para a Virgem me guardar.
Nossa Senhora dos Navegantes,
não me deixes naufragar.
Guarda a mulher que me espera
e ensina-me a regressar.
Se alguma noite de inverno
me encontrar longe do cais,
e o mar levantar sua voz
e já não me deixar em paz,
eu hei de olhar para o farol,
essa estrela sobre o mar,
e pensar que junto dele
tu ainda estás
a esperar.
E se minhas redes vierem
vazias ao amanhecer,
não te esconderei a tristeza,
nem direi que foi o mar
que me fez perder.
Porque há coisas nesta vida
que não se podem pescar.
Há amores que não cabem
nas redes do mar.
E se eu voltar sem peixe,
se o mar nada me quiser dar,
voltarei de mãos vazias...
mas voltarei para te amar.
A noite acende os seus olhos,
o farol começa a brilhar,
e tu contas as estrelas
com medo de me esperar.
O vento traz tua lembrança,
a lua descansa no mar,
e eu vejo ao longe o teu rosto
antes mesmo de chegar.
Hoje lancei minhas redes
quando o dia começou...
e entre as malhas do silêncio
um coração encontrei.
Pensei que fosse do mar,
pensei que fosse de alguém...
Mas quando o apertei no peito,
soube logo de quem era.
Era o teu.
O teu coração...
que nunca ficou no cais.
Veio comigo na barca
quando me viste partir.
Sou pescador lusitano...
e voltei para ti.