Quase 200 anos girando: a Grande Mancha Vermelha, sem exagero
Livro de Ciências
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Quase 200 anos girando: a Grande Mancha Vermelha, sem exagero
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No sul de Júpiter gira a maior tempestade duradoura do Sistema Solar: a Grande Mancha Vermelha. Por mais de um século, a Terra inteira cabia no comprimento dela. Entre dezembro de 2023 e março de 2024, o telescópio Hubble mediu uma oval de cerca de 12.900 a 14.200 quilômetros por cerca de 10.000. A Terra tem 12.742 quilômetros de diâmetro: ainda entra no comprimento, por pouco, e já não entra na largura. A área da elipse ficou perto de quatro quintos do disco da Terra.
Neste vídeo a gente separa o que parece um furacão do que a mancha realmente é. Um furacão é um ciclone, de pressão baixa. No hemisfério sul, a mancha gira no sentido anti-horário: é um anticiclone. O vento forte não está no centro. Está num anel, e a média dos trechos mais rápidos, nessa campanha do Hubble, ficou entre cerca de 320 e 380 quilômetros por hora. A escala de furacões da Terra acaba na categoria 5, a 252. Não existe categoria 7.
Também entra o que aconteceria numa simulação, com os mesmos quilômetros colocados sobre o mapa: uma elipse de 14.000 por 10.000 quilômetros, centrada em Brasília só como referência, cobre a América do Sul, entra no Pacífico e atravessa o Atlântico até a África ocidental. E entra o limite dessa simulação. A Terra não sustentaria essa tempestade. Tem chão, gira mais devagar e não tem os jatos que prendem a mancha.
CAPÍTULOS
0:00 A tempestade em que a Terra cabia
0:47 Uma nuvem que gira
1:25 Não é um furacão
2:05 A Terra ainda entra?
2:51 Três Terras, depois duas, depois uma
3:51 O anel rápido e o centro lento
4:43 O maior furacão da Terra
5:53 Inscreva-se
6:05 Uma panqueca de centenas de quilômetros
6:52 Por que é vermelha
7:41 Por que ela não acaba
8:56 Outras manchas, outros planetas
9:49 O calor acima da tempestade
10:33 Ela vai acabar?
11:21 A oval em cima da Terra
12:05 O anel em cima do mapa
13:19 A Terra não seguraria
14:17 O teto da Terra
14:58 O que está medido
15:42 Inscreva-se
O TAMANHO
Simon et al. (2024) mediram a elipse vermelha entre 12.881 e 14.233 km por 9.613 a 10.178 km, de dezembro de 2023 a março de 2024. A área fica perto de quatro quintos do disco da Terra. Em 1879 o eixo maior tinha cerca de 39.000 km (Sánchez-Lavega et al., 2024); estimativas do fim do século 19 chegam a 41.000 km.
O VENTO E A PROFUNDIDADE
A média dos trechos mais rápidos do anel ficou entre cerca de 82 e 106 m/s, ou 300 a 380 km/h (Simon et al., 2024). Picos mais antigos passam de 400 km/h. A 360 km/h, a pressão do vento fica perto do dobro da de um furacão a 252 km/h, porque a força cresce com o quadrado da velocidade. A profundidade é de 200 a 500 km (Parisi et al., 2021).
A SIMULAÇÃO
O mapa é esquemático. A elipse de 14.000 por 10.000 km, centrada em Brasília, é uma comparação de quilômetros, não uma previsão. A altura que a água do mar atingiria depende da costa e do fundo; o vídeo não inventa esse número. A física da Terra — chão, rotação, jatos e mar quente — apagaria um sistema assim.
O QUE AINDA É HIPÓTESE
A causa da cor vermelha não está fechada. A mancha vista por Cassini de 1665 a 1713 provavelmente não é a de hoje (Sánchez-Lavega et al., 2024). Ninguém tem uma data para o fim do vórtice. O calor medido a cerca de 800 km acima da mancha é real; a explicação por ondas que quebram lá em cima é hipótese (O'Donoghue et al., 2016).
SOBRE AS IMAGENS
Júpiter, as sondas, os telescópios, os furacões, Saturno, Netuno e as paisagens da simulação são ilustrações geradas por inteligência artificial, não fotografias das missões. Mapas, elipses e comparações de tamanho, vento e profundidade foram desenhados em código com os valores citados. O mapa da Terra é esquemático e a sequência sobre o planeta leva o aviso de simulação.
FONTES E REFERÊNCIAS
Simon, A. A. et al. (2024). The Planetary Science Journal, 5, 223.
Sánchez-Lavega, A. et al. (2024). Geophysical Research Letters, 51, e2024GL108993.
Parisi, M. et al. (2021). Science, 374, 964–968.
Wong, M. H. et al. (2021). Geophysical Research Letters, 48, e2021GL093982.
O'Donoghue, J. et al. (2016). Nature, 536, 190–192.
Rogers, J. H. (2008). Journal of the British Astronomical Association, 118, 14–20.
NASA/JPL (2014). Jupiter's Great Red Spot is smaller than ever measured.
Loeffler, M. J. e Hudson, R. L. (2018). Icarus, 302, 418–425.
NOAA — tufão Tip (1979), furacão John (1994) e a escala Saffir-Simpson.
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