BUG! - SESSÃO DA NOSTALGIA #498
Cinematrônico
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BUG! - SESSÃO DA NOSTALGIA #498
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Neste episódio trago um jogo nostálgico pra mim: BUG!
Gabarito em uso.
Bug! (1995) é um dos marcos mais curiosos da primeira geração de plataformas 3D — e uma das grandes histórias de "e se" da Sega. Desenvolvido pela americana Realtime Associates e publicado pela Sega para o Sega Saturn, o jogo chegou à América do Norte em julho de 1995, semanas após o lançamento surpresa do console (11 de maio daquele ano), desembarcou na Europa em 15 de setembro e no Japão em 8 de dezembro, e ganhou um port para Windows 3.1x/95 em 1996, pelas mãos da Beam Software. Concebido como título de lançamento, Bug! foi um dos primeiros platformers tridimensionais da história e o primeiro jogo de plataforma a sair para o Saturn na Europa.
A premissa é puro desenho animado de sábado de manhã. Bug é um inseto verde metido a astro de Hollywood em busca do "grande papel": ele assina contrato para estrelar um filme de ação — na verdade, seis filmes gravados consecutivamente no mesmo dia. A trama, porém, sai do roteiro: a vilã Rainha Cadavra, uma aranha viúva-negra gigante e rechonchuda, sequestra a família do protagonista — o bicho de estimação Maggot Dog, o irmão caçula, a namorada, a mãe e o pai —, e Bug precisa resgatá-los um a um. A aventura atravessa seis mundos de três fases cada, todos fechados por um chefe obrigatório: as campinas de Insectia, o deserto de répteis, o pântano, o fundo do mar, a tundra congelada e a montanha vulcânica. Os capangas de Cadavra incluem um caracol ciberneticamente aprimorado, um réptil gigante, uma serpente marinha, um polvo monstruoso e um "snow-bug" abominável. No confronto final, Bug empurra a rainha para dentro do vulcão — que, revela-se, era real, e não cenário de estúdio. Como ninguém percebe que tudo aquilo aconteceu de verdade, os eventos viram um filme, e Bug e sua família assistem à estreia.
Na jogabilidade, Bug! é o que a Realtime Associates batizou de "quad-scroller": um plataforma 2D clássico com uma terceira dimensão injetada na fórmula. O personagem se move em quatro direções — esquerda, direita, frente e fundo —, sem diagonais, por trilhos lineares, o que levou muitos a classificá-lo como um "2,75D". Para compensar, o jogo apela à verticalidade: Bug sobe paredes, anda de cabeça para baixo no teto e usa elásticos gigantes para se catapultar entre trechos do nível. Inimigos (insetos, moluscos, répteis, anfíbios e aracnídeos) são derrotados ao pisar neles, com direito a combo de pontos se o jogador segura o botão de pulo e quica repetidamente. Power-ups turbinam o arsenal: o cuspe permite disparar projéteis de saliva e o Zap Cap libera descargas elétricas e invencibilidade temporária (Bug é substituído por um dublê — a "Stunt Bug"). Os níveis são enormes e recheados de segredos: cristais azuis, trocados no fim da fase por dólares que representam a "bilheteria" do filme, cristais rosas (valem cinco), corações que restauram um ponto de vida e a lendária lata de refrigerante "BUUUGG JUUUICE", que enche a vida inteira. Moedas douradas dão acesso a tubos de sucção operados por Daddy O'Longlegs, ex-marido da rainha, que levam a minijogos de troféus — dez troféus rendem uma vida extra.
O desenvolvimento é a parte mais fascinante. A Sega of America contratou a Realtime Associates para criar um Sonic tridimensional para o lançamento do Saturn; a Sega do Japão vetou o ouriço, e o estúdio reaproveitou o conceito de um jogo de Mega Drive engavetado. Bug era um dos três candidatos a mascote do console, ao lado de Astal e de Sir Tongara Pepperouchau, de Clockwork Knight. Sonic virou Bug, as argolas viraram cristais azuis, as molas viraram cogumelos amarelos — e o ouriço ainda faz uma participação secreta numa fase especial, numa corrida 2D contra o inseto. A equipe programou tudo em assembly em um único chip SH2 (o segundo processador do Saturn ficou ocioso), sem ferramentas confiáveis e com manuais técnicos mal traduzidos. Os personagens foram pré-renderizados em estações Silicon Graphics e convertidos em sprites, no mesmo estilo de Donkey Kong Country.
A recepção foi calorosa sem virar fenômeno: 84% no GameRankings para a versão Saturn (55% no PC), 9/10 na Game Informer e 5/5 na Sega Saturn Magazine. Elogiaram-se os gráficos vibrantes, os chefes pré-renderizados e as cutscenes; criticaram-se os bordões nasais de Bug — "OH, THAT'S GOTTA HURT!" repetido à exaustão — e a música, considerada repetitiva por parte da imprensa.
#sega #segasaturn #bug
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