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Ontem e Hoje

Jorge Burlamaque

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Ontem e Hoje

78 просмотров · 11 дней назад
Jorge Burlamaque
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Ontem e Hoje. Guarde sempre os sorrisos, os beijos e os abraços, Guarde o calor no peito para os dias escassos. O vento com aroma do mar acariciava os cabelos, E os sorrisos inocentes enfeitavam os anelos. Os olhares se encontravam nas tardes de verão, E traziam outras vidas bem perto da emoção. O sol mudava de cor, a noite era longa e bela, Contava as estrelas o brilho de cada janela. O presente vencia o futuro que vinha por vir, E o passado tocava no acorde de um violir. A namorada no portão era pura poesia, Seus olhos com seu sorriso traziam a harmonia. Convidavam para o beijo sem precisar de falar, Que o vento levava as palavras para longe do olhar. As lágrimas eram poucas na festa que virava dia, O relógio tinha preguiça na nossa calmaria. A ansiedade crescia e virava saudade acesa, Do tempo que a gente vivia com tanta certeza. Era assim no topo do mundo, na minha montanha, Até que o dia mudou e a alma ficou estranha. Vi o sol morrendo no poente e as noites caladas, Buscando tudo isso nas horas madrugadas. Procurando a porta de entrada que não existe mais, Pelos caminhos escuros que o tempo desfaz. O tempo me disse para olhar sempre para a frente, Mas não sei ser sorridente neste futuro ausente. O vento do mar agora traz um cheiro tão ruim, Os meus cabelos brancos anunciam o fim. Os sorrisos perderam a graça e se renderam ao mal, E os olhares se cruzam num jeito de revanche e igual. O sol me tortura e a noite me causa espanto, Com a partida das estrelas e o eco do meu pranto. O sono virou fuga de um mundo sem poesia, Onde o amor já morreu e levou a alegria. O portão então se fechou e a namorada partiu, Com um belo sorriso que o vento e o tempo sumiu. Sem rumo certo, sem rumo para onde ir, Sem dizer adeus... sem sequer se despedir.