Ontem e Hoje
Jorge Burlamaque
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Ontem e Hoje
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Jorge Burlamaque
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Ontem e Hoje.
Guarde sempre os sorrisos, os beijos e os abraços,
Guarde o calor no peito para os dias escassos.
O vento com aroma do mar acariciava os cabelos,
E os sorrisos inocentes enfeitavam os anelos.
Os olhares se encontravam nas tardes de verão,
E traziam outras vidas bem perto da emoção.
O sol mudava de cor, a noite era longa e bela,
Contava as estrelas o brilho de cada janela.
O presente vencia o futuro que vinha por vir,
E o passado tocava no acorde de um violir.
A namorada no portão era pura poesia,
Seus olhos com seu sorriso traziam a harmonia.
Convidavam para o beijo sem precisar de falar,
Que o vento levava as palavras para longe do olhar.
As lágrimas eram poucas na festa que virava dia,
O relógio tinha preguiça na nossa calmaria.
A ansiedade crescia e virava saudade acesa,
Do tempo que a gente vivia com tanta certeza.
Era assim no topo do mundo, na minha montanha,
Até que o dia mudou e a alma ficou estranha.
Vi o sol morrendo no poente e as noites caladas,
Buscando tudo isso nas horas madrugadas.
Procurando a porta de entrada que não existe mais,
Pelos caminhos escuros que o tempo desfaz.
O tempo me disse para olhar sempre para a frente,
Mas não sei ser sorridente neste futuro ausente.
O vento do mar agora traz um cheiro tão ruim,
Os meus cabelos brancos anunciam o fim.
Os sorrisos perderam a graça e se renderam ao mal,
E os olhares se cruzam num jeito de revanche e igual.
O sol me tortura e a noite me causa espanto,
Com a partida das estrelas e o eco do meu pranto.
O sono virou fuga de um mundo sem poesia,
Onde o amor já morreu e levou a alegria.
O portão então se fechou e a namorada partiu,
Com um belo sorriso que o vento e o tempo sumiu.
Sem rumo certo, sem rumo para onde ir,
Sem dizer adeus... sem sequer se despedir.