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Vivência Kardec e Chico Xavier -77.

Centro Espirita Vicente de Paulo

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Vivência Kardec e Chico Xavier -77.

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Revista Espírita, Outubro de 1859 – Os milagres. 1 – Em sua acepção primitiva e pela etimologia, o vocábulo milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver. Como tantos outros, entretanto, afastaram-se do sentido originário e, conforme a Academia, hoje se diz de um ato do poder divino, contrario as leis comuns da Natureza. Tal é, com efeito, sua acepção usual, e só por comparação e por metáfora é que se aplica às coisas vulgares, que nos surpreendem e cuja causa é desconhecida. 2 – O milagre, já o dissemos, é uma derrogação das leis da Natureza. Não entra absolutamente em nossa cogitação examinar se Deus julgou útil, em determinadas circunstâncias, derrogar as leis por Ele próprio estabelecidas. Tem o milagre ainda outro caráter: o de ser insólito e isolado. Ora, desde que um fato se repete, por assim dizer, à vontade e por diversas pessoas, não pode ser milagre. 3 – A Ciência diariamente faz milagres aos olhos dos ignorantes. Eis porque outrora aqueles que sabiam mais que o vulgo passa por feiticeiros. E como se acreditava que toda Ciência vinha do Diabo, eles eram queimados. Hoje estamos muito mais civilizados: contentamo-nos em manda-los para o hospício. Depois que deixamos os inventores morrer de fome, erigimo-lhes estátuas e os proclamamos benfeitores da Humanidade. 4 – Se um homem realmente morto for chamado à vida por uma invenção divina, haverá um verdadeiro milagre, porque isto é contrario as leis da Natureza. Mas se esse homem tiver apenas a aparência da morte, se lhe restar vitalidade latente, e se a Ciência ou uma simples ação magnética conseguir reanima-lo, para as pessoas esclarecidas isto será um fenômeno natural; mas aos olhos do vulgo ignorante o fato passará por miraculoso e o autor será apedrejado ou venerado, conforme o caráter das pessoas. 5 – Esclarecendo-nos quanto a esse poder, dá-nos o Espiritismo a chave de uma porção de coisas inexplicáveis por qualquer outro meio, e que puderam, em tempos remotos, passar por prodígios. Como o magnetismo, ele revela uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; melhor dito, conheciam-se os efeitos porque se produziam em todos os tempos, mas não se conhecia a lei. 6 – Foi a ignorância dessa lei que gerou a superstição. Conhecida essa lei, cessa o maravilhoso e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis porque os espíritas não fazem milagres quando fazem girar uma mesa ou os mortos escreverem, do mesmo modo que não faz o médico quando revive um moribundo, ou físico quando faz cair um raio. Bibliografia de apoio aos estudos: O Evangelho Seg. Espiritismo, cap. 19, item 12. Cap. 21, item 5 O Livro dos Espíritos, perg. 802 e Conclusão, item 2. A Gênese, Os Milagres Segundo o Espiritismo, Cap. 13. O Livro dos Médiuns, Primeira Parte, cap. 2, itens 7 a 10. Seara dos Médiuns, lição: Cartão de visita. Opinião Espírita, lição 13. Caminho, Verdade e Vida, lição 155. Monte Acima, lição: Mais feliz.