Caminho de Santiago Francês | De Burgos a León de Carro: Uma Escolha Difícil
Caminhando com Iracema
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Caminho de Santiago Francês | De Burgos a León de Carro: Uma Escolha Difícil
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Caminhando com Iracema
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Neste trecho da nossa peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, aconteceu algo que eu não havia planejado: deixamos Burgos e seguimos de carro em direção a León.
Estávamos em quatro pessoas e a maioria do grupo decidiu alugar um carro para avançar algumas etapas.
Confesso que fiquei triste.
Eu tinha vindo para caminhar. Queria viver cada quilômetro, passar pelos povoados, sentir o cansaço e conhecer o Caminho da maneira que havia imaginado.
Mas também tínhamos começado juntas e eu queria continuar com minhas companheiras.
Há momentos na vida em que precisamos escolher entre aquilo que gostaríamos de fazer e aquilo que naquele momento parece ser o melhor para o grupo.
Então seguimos juntas.
Durante a viagem, passamos por diversas localidades que fazem parte do Caminho Francês e que, em outras circunstâncias, teríamos atravessado caminhando.
Eu observava tudo com uma sensação estranha.
Estava conhecendo aqueles lugares, mas não da maneira que gostaria.
Faltava alguma coisa.
Faltavam os passos.
Chegamos a Sahagún, onde passamos a noite. No dia seguinte, continuamos até León.
Chegamos cedo à cidade e ainda tivemos algum tempo antes da abertura do albergue. Aline e Bianca foram devolver o carro, enquanto eu e Sula levamos as mochilas e ficamos esperando para garantir nosso lugar.
Finalmente estávamos em León.
A cidade é belíssima, e sua Catedral se impõe na paisagem de uma maneira impressionante.
Ficamos no Albergue de Peregrinos Las Carbajalas, ligado ao Mosteiro de Santa María de Carbajal e à comunidade de monjas beneditinas.
Na entrada do albergue, como acontece em muitos lugares destinados aos peregrinos, tivemos que deixar as botas e os cajados.
E foi aí que aconteceu algo curioso.
Eu já estava completamente apegada ao meu cajado.
Havia comprado aquele cajado em Saint-Jean-Pied-de-Port, no início do Caminho Francês. Ele tinha um rosto esculpido na madeira e eu o achava lindo.
Além disso, em cada região por onde passávamos, eu comprava um pequeno adesivo ou lembrança para colocar nele.
O cajado estava se transformando em uma espécie de diário da caminhada.
Por isso, quando a freira se afastou, eu voltei discretamente e peguei meu cajado novamente.
Não queria deixá-lo longe de mim.
Naquele momento eu ainda não sabia, mas esse apego ao cajado teria um significado muito importante mais adiante no Caminho.
Algo ainda aconteceria com ele.
E existe uma explicação muito interessante para o que aconteceu.
Naquela noite, enquanto descansava em León, eu só conseguia pensar em uma coisa:
queria que o dia amanhecesse.
Queria colocar novamente a mochila nas costas, pegar meu cajado e voltar para a estrada.
Porque foi para isso que eu tinha vindo.
Não para percorrer o Caminho de carro.
Eu tinha vindo para caminhar.
E no dia seguinte, finalmente, voltaria a fazê-lo.
0:00 Início da jornada e desafios logísticos
4:18 Reflexões sobre o silêncio das pedras
11:11 A imensidão da Meseta
14:19 Rotina no albergue e descanso
16:29 Desprendimento e a busca por si mesmo
18:41 A clareza de não ser ninguém
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