Ônibus elétrico a etanol: mais barato que diesel? Fiz a conta
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Ônibus elétrico a etanol: mais barato que diesel? Fiz a conta
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Um ônibus elétrico que nunca viu um carregador na vida. Não tem tomada, não tem eletroposto, não tem carregamento noturno. E mesmo assim ele roda de 500 a 650 quilômetros com tração 100% elétrica, e reabastece em cinco minutos em qualquer posto do Brasil.
O segredo é um líquido que a gente planta: etanol. E a empresa que fez isso é de Caxias do Sul.
Este vídeo destrincha o Volare Attack 10 Híbrido, da Marcopolo, que acabou de entrar em vendas na LatBus 2026. E faz a conta do quilômetro rodado na ponta do lápis, com todas as premissas na tela, para você refazer com os preços da sua cidade.
O que tem no vídeo:
COMO FUNCIONA. Quem move as rodas é um motor elétrico da WEG, 100% do tempo, no centro do chassi, com eixo cardã até o diferencial traseiro. O etanol alimenta um 1.0 turbo de três cilindros, o HR10 da Horse, o mesmo motor do Renault Kardian, com 85 kW. E esse motor nunca toca as rodas: a única função dele é girar um gerador. Ele trabalha cerca de um terço do tempo de uso, então dois de cada três quilômetros são silêncio absoluto.
OS NÚMEROS. Bateria de 122 kWh em três pacotes, que pode ter metade do tamanho da de um elétrico puro porque o gerador está sempre a bordo. Tanque de 200 litros. Redução de 98% no NOx. De 22 a 28 passageiros, com chassi montado em São Mateus, no Espírito Santo.
A CONTA DO QUILÔMETRO, com premissas de diesel a R$ 7,00, etanol a R$ 4,00 e energia a R$ 0,90 o kWh. O diesel na rota escolar rural, com o consumo de 3 km/L que a própria licitação de prefeitura assume, sai a R$ 2,33 por quilômetro. O etanol sai entre R$ 1,33 e R$ 1,60. Com carga noturna na tomada, cai para R$ 0,74 a 0,83. Com placa solar, para cerca de R$ 0,50, um terço do diesel.
A ROTA DA ESCOLA. Em Campo Verde, no Mato Grosso, a telemetria mostrou 171 quilômetros por dia por ônibus, em três turnos. Pelo Brasil, as rotas escolares vão de 60 a 170 km diários. Um ônibus escolar abasteceria uma vez por semana.
O DIESEL QUE VEM DE NAVIO. O Brasil não é autossuficiente em diesel: de 20 a 25% do consumo atravessa o oceano, e 2025 foi recorde, com 17,3 bilhões de litros importados. O maior fornecedor é a Rússia. Só em janeiro de 2025 as compras custaram US$ 717 milhões, o equivalente a R$ 4,3 bilhões, em um único mês. E com a escalada no Estreito de Ormuz, o diesel importado subiu 28% em um ano.
O FUTURO. A mesma arquitetura vai para o Torino, o ônibus urbano mais tradicional do Brasil, em projeto financiado pela Finep, com nova geração a partir de 2027. E o conjunto motor e gerador da Horse com a WEG vai virar peça de prateleira para eletrificar caminhão, van e caminhonete sem depender de eletroposto.
Deixa nos comentários: essa arquitetura, elétrico com gerador a etanol, deveria estar nos carros de passeio? Você compraria um SUV assim?
0:00 Um elétrico que nunca viu um carregador
0:59 Como funciona: o motor que nunca toca as rodas
2:30 Os números: bateria pela metade, 650 km
3:51 REEV, híbrido em série, ou só elétrico a etanol
4:51 Dois anos de teste dentro da usina
5:46 A conta do quilômetro: etanol contra diesel
8:51 A rota da escola, e a conta da prefeitura
9:44 O diesel que vem de navio, e a guerra no preço
14:01 O Torino, a peça de prateleira e o software daqui
15:17 A pergunta: e nos carros de passeio?
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