Corrida dos Bichos - Era melhor ter ido jogar no bicho
Produções 4 Cores - Canal de Cinema
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Corrida dos Bichos - Era melhor ter ido jogar no bicho
26 просмотров · 1 месяц назад
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Tem filmes que chegam carregando um peso enorme nas costas. Expectativa de público, nome de diretor consagrado, uma premissa que promete cutucar feridas abertas. E é exatamente por isso que a queda, quando acontece, dói mais. Foi assim com Corrida dos Bichos, o novo filme de Fernando Meirelles, lançado em 2026 no Prime Video. Um projeto que vinha sendo gestado há anos, anunciado como um dos grandes lançamentos nacionais do streaming, e que terminou chegando com muito barulho e pouca substância.
A trama parte de uma ideia que, no papel, é forte: um grupo de pessoas desesperadas por dinheiro aceita participar de uma corrida brutal onde os participantes são tratados como animais. O título, aliás, não esconde a metáfora. É sobre a elite que assiste, sobre o entretenimento que desumaniza, sobre a miséria transformada em espetáculo. Só que o filme nunca consegue ir além da superfície dessa ideia. Ele aponta, sinaliza, repete, mas não aprofunda. Fica no grito quando precisava de silêncio, na caricatura quando pedia humanidade.
A direção de Meirelles, que já provou em Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira que sabe filmar a barbárie com lirismo e raiva na medida certa, aqui parece distante. Faltou mão firme, faltou coragem para ir até o fim. A violência, quando aparece, é quase clínica. A tensão, que deveria ser insuportável, se perde em cenas longas que não constroem nada. E o resultado é um filme morno, que fala o tempo todo sobre desumanidade mas raramente faz o espectador sentir qualquer coisa.
O texto é o maior problema. Os diálogos explicam tudo, sublinham cada metáfora, não confiam na inteligência de quem está assistindo. Os personagens não têm camadas, são arquétipos andando de um lado para o outro com discursos prontos. E quando o filme tenta emocionar, soa artificial. Quando tenta chocar, soa gratuito. Quando tenta concluir, soa vazio.
É uma pena, porque o cinema brasileiro tem talento de sobra para transformar crítica social em arte. E o próprio Meirelles já fez isso antes. Mas Corrida dos Bichos parece um filme perdido entre o que queria ser e o que conseguiu realizar. Uma produção que apostou no impacto, mas esqueceu que impacto sem profundidade não é arte. É só barulho.
Nesse vídeo eu destrincho a produção com calma, falo sobre o que não funcionou, sobre as escolhas de direção que enfraqueceram o filme, sobre o roteiro que se perde nas próprias intenções e por que essa obra, que tinha tudo para ser um marco, termina como uma nota de rodapé na carreira de um dos nossos maiores cineastas.
Se você curte crítica de cinema brasileiro, análise de lançamentos do streaming e reviews honestas que não passam pano nem para os grandes nomes, esse vídeo é para você.