REGINALDO SILVA: SÓ LOURENÇO PEDIU PERDÃO. OS OUTROS NÃO
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0:00 Abertura do debate
4:24 O que é o memorial e quem lá está
6:13 Reginaldo Silva: a CIVICOP, o 27 de Maio e o discurso de 2021
21:57 O que se vê lá dentro: a visita ao memorial
30:15 Uma obra feita para durar ou para o poder de agora?
36:41 Haverá comissão da verdade em Angola?
45:08 A solução ideal para as vítimas do 27 de Maio
Entrou no memorial à espera de encontrar as vítimas e saiu com a sensação oposta. Reginaldo Silva, jornalista, preso depois do 27 de Maio de 1977, visitou o Memorial das Vítimas dos Conflitos Políticos, em Luanda, e a conclusão dele é dura: aquilo é mais sobre os protagonistas da guerra do que sobre as pessoas que morreram.
Em Angola, poucas vozes falam do 27 de Maio com a autoridade de quem o viveu. Reginaldo Silva saiu da cadeia em 1979 com medidas que o proibiam de trabalhar em jornalismo e foi desterrado para a Lunda Norte. Começou a escrever sobre o assunto nos anos noventa e, já nos anos 2000, ajudou a organizar os almoços evocativos que se faziam ainda com medo da segurança. Quando surgiu a CIVICOP, decidiu ficar de fora para não perder a liberdade de falar. Agora conta porquê.
Nesta conversa da Rádio Essencial, o convidado leva-nos por dentro do memorial: as roupas das exumações que “não dizem nada a ninguém”, a cela com o letreiro da DISA, a sala do comboio do Zenza do Itombe, as três grandes fotografias de Neto, Savimbi e Holden. Diz que o espaço fala do conflito entre o governo e a UNITA, que o 27 de Maio devia ter um tratamento à parte e que a decisão de “diluir” todos os conflitos foi política. Atribui ainda a Agostinho Neto a principal responsabilidade política do que se passou depois do 27 de Maio, e lembra que o Estado nunca fez o julgamento que podia ter feito.
O painel, com Cândido, Hélder, Helena Ferreira, Frei Joaquim José Hangalo, Evaristo Mulaza e David Boio, tem as suas próprias perguntas, e elas incomodam: quem é afinal vítima? Cabem o algoz e o torturado na mesma homenagem? O que acontecerá a este memorial quando o poder mudar? “A história contada pelo caçador”, diz um dos participantes, será a que fica para sempre?
E a pergunta final, a mais pesada: poderá Angola ter uma comissão da verdade, como a África do Sul, o Ruanda ou Timor-Leste? A resposta de Reginaldo Silva é franca, sem rodeios e sem consolo. Vale a pena ouvi-la até ao fim.
As opiniões expressas pertencem a cada participante do debate. O Dibatadié TV não as assume como fatos.
Fonte: Rádio Essencial, 90.1 FM.
Concordas com Reginaldo Silva? O memorial representa as vítimas do 27 de Maio? Diz-nos nos comentários e partilha este debate com quem se interessa pela história de Angola.
Subscreve o Dibatadié TV para acompanhares a análise política angolana.
Eu sou JHM
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