Assembleia Geral da ONU: discursos de Lula, Trump e como soberania, IA e guerra e paz apareceram
Victor Del Vecchio - para entender o mundo
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Assembleia Geral da ONU: discursos de Lula, Trump e como soberania, IA e guerra e paz apareceram
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Ep. 24 Podcast "Para Entender o Mundo"
Este episódio tem o apoio do Café Por Elas, uma torrefação de cafés especiais que valoriza o protagonismo feminino em toda a cadeia, da origem do grão à xícara. Produzido por mulheres, apreciado por todos. Conheça mais: https://cafeporelas.com.br/
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André Roberto Martin é professor titular de Geografia da USP, e quem eu tenho o privilégio de chamar de tio.
O que os discursos de Donald Trump, Lula e António Guterres na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas revelam sobre a nova ordem mundial?
Neste episódio, comentamos algumas das principais falas da Assembleia Geral da ONU e usamos os discursos para discutir três grandes temas que atravessam a geopolítica contemporânea: o poder dos Estados Unidos, a Inteligência Artificial e a disputa por soberania no século XXI.
Começamos por Donald Trump.
Em seu discurso, o presidente afirmou que os Estados Unidos estão mais fortes do que nunca, possuem o Exército mais poderoso da Terra, liderança tecnológica e uma economia que seria referência para o mundo. Também apresentou uma OTAN fortalecida como um dos sinais da posição norte-americana.
Mas como essas afirmações se encaixam na realidade internacional?
Os EUA continuam reunindo capacidades militares, financeiras, tecnológicas, energéticas e diplomáticas extraordinárias. Ao mesmo tempo, a ascensão da China, o fortalecimento de novas potências e a transição para uma ordem mundial mais multipolar tornam o ambiente internacional muito diferente daquele vivido depois do fim da Guerra Fria.
Por isso, discutir se os Estados Unidos estão “enfraquecidos” exige distinguir declínio absoluto de perda relativa de predominância.
Na sequência, entramos em um dos temas mais importantes para as próximas décadas: a Inteligência Artificial.
António Guterres comparou o desafio atual da IA ao enfrentado durante a Guerra Fria, quando potências rivais perceberam que precisavam criar mecanismos para reduzir mal-entendidos, controlar escaladas e evitar uma catástrofe nuclear.
A comparação é importante porque a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta econômica.
IA já faz parte da disputa militar, da cibersegurança, da inteligência, da vigilância, da proteção de infraestruturas críticas e do desenvolvimento de sistemas cada vez mais autônomos.
Como regulamentar uma tecnologia estratégica sem impedir inovação? Quem define as regras? Estados Unidos, China e outras potências aceitariam limites comuns? E até onde decisões militares podem ser delegadas a máquinas?
Essa discussão nos leva ao discurso de Lula.
O presidente brasileiro defendeu a regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial, criticou a concentração de poder nas mãos das grandes empresas de tecnologia e relacionou a governança digital à defesa da democracia.
Também afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, conectando soberania nacional, autonomia diplomática e resistência à divisão do mundo em zonas de influência.
Mas regulamentação também produz dilemas.
Como proteger a sociedade de desinformação, manipulação algorítmica e interferências externas sem criar mecanismos que possam restringir excessivamente a liberdade de expressão? Quem fiscaliza as grandes plataformas? E até onde empresas privadas podem exercer influência sobre eleições, informação e debate público?
Trump, Lula e Guterres apresentaram visões bastante diferentes do mundo.
Mas seus discursos convergem em um ponto: poder no século XXI não será medido apenas por território, população ou tamanho das Forças Armadas.
Tecnologia, inteligência artificial, controle da informação, soberania digital, capacidade militar e poder econômico estão cada vez mais conectados.
Da força dos Estados Unidos à regulamentação das Big Techs, da IA na guerra à soberania brasileira, este episódio usa a Assembleia Geral das Nações Unidas para discutir algumas das grandes disputas que podem definir a política internacional nas próximas décadas.
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