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Grupos Redpill Promovem Narcisismo Coletivo

Alan Mocellim

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Grupos Redpill Promovem Narcisismo Coletivo

5 440 просмотров · 9 месяцев назад
Alan Mocellim
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Neste vídeo, trago a hipótese interpretativa de que o movimento Redpill e setores mais radicalizados da machosfera podem ser compreendidos como formas de narcisismo coletivo. Parto de um conceito utilizado na psicologia política para descrever situações em que características associadas ao narcisismo passam a operar coletivamente, estruturando a identidade e o comportamento de um grupo. Isso não significa afirmar que todos os seus participantes possuam um transtorno de personalidade, mas que a participação grupal pode modelar formas de pensar, sentir e agir. Por meio de processos de reforço e punição, determinados comportamentos podem ser estimulados e outros desestimulados, fazendo com que os membros aprendam progressivamente padrões de autocentramento, superioridade, hostilidade e desconsideração por aqueles que não compartilham suas crenças. A partir dessa perspectiva, apresento a tese de que a machosfera radicalizada pode ser analisada como um espaço de modelação coletiva de traços narcisistas. O primeiro aspecto que indica narcisismo coletivo é a crença em grandeza, superioridade e iluminação. A própria identidade Redpill pressupõe uma divisão entre aqueles que supostamente conheceriam uma verdade oculta sobre as relações de gênero e aqueles que permaneceriam enganados. Forma-se, assim, uma crença coletiva de superioridade intelectual e de acesso privilegiado ao funcionamento do mundo. A essa grandiosidade se associa uma constante vitimização: acontecimentos sociais, críticas e conflitos passam a ser interpretados como provas de que o grupo é perseguido por mulheres, feministas, acadêmicos, instituições políticas e outros adversários. Quando sua visão de mundo é questionada, a crítica pode ser percebida como uma negação de sua superioridade, produzindo extrema sensibilidade e reações agressivas. Desenvolve-se, desse modo, uma dinâmica semelhante à do narcisismo individual, na qual a autoestima depende do reconhecimento externo e qualquer contestação pode ser experimentada como ataque pessoal ou coletivo. Outro elemento central é a necessidade constante de validação. Diante da rejeição ou da crítica externa, os participantes retornam ao grupo, onde encontram confirmação de suas crenças e comportamentos. Forma-se um circuito em que as críticas fortalecem a necessidade de apoio interno, enquanto a validação interna reforça novamente a disposição para atacar aqueles que estão fora. Essa dinâmica contribui para a construção de uma oposição entre “nós” e “eles”, na qual críticos deixam de ser interlocutores e passam a ser concebidos como inimigos. Mulheres, feministas, grupos políticos, acadêmicos e outros setores podem ser incorporados a uma narrativa de perseguição coletiva. A construção permanente de inimigos se relaciona, assim, a uma forma de paranoia coletiva, caracterizada pela tendência a interpretar o mundo como um conjunto de forças hostis e a transformar qualquer discordância em evidência de conspiração ou perseguição. Por fim, discuto mecanismos de defesa como a projeção e a identificação projetiva, pelos quais características e comportamentos presentes no próprio grupo podem ser atribuídos aos adversários. A hostilidade praticada contra os outros pode ser reinterpretada como defesa diante de uma suposta agressão, enquanto provocações e conflitos podem servir posteriormente para confirmar a crença de que o grupo é perseguido. Essa dinâmica se articula a uma progressiva redução da autocrítica e da empatia por aqueles que não pertencem ao grupo ou não compartilham sua visão de mundo. Concluo, portanto, que características como grandiosidade, vitimização, sensibilidade à crítica, necessidade de validação, hostilidade contra inimigos, paranoia, mecanismos defensivos e falta de empatia podem ser compreendidas como traços associados ao narcisismo que são coletivamente modelados e reforçados nesses espaços. Quanto maior e mais prolongada for essa inserção grupal, maior pode ser a dificuldade de produzir insight, autocrítica e abertura para questionar as próprias crenças e comportamentos. _______________________________ Alan Delazeri Mocellim é psicólogo, Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor da pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Leciona, pesquisa e orienta nas áreas de Sociologia das Emoções, Sociologia do Conhecimento e Psicologia Social. Currículo disponível em: http://lattes.cnpq.br/0264933519544511 Os vídeos aqui apresentados são resultado do projeto de extensão "Violência Psicológica e Abuso Emocional" desenvolvido por Alan Delazeri Mocellim na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Qualquer uso de material aqui apresentado deve, portanto, referenciar o autor (MOCELLIM, Alan) e o apoio institucional da Universidade Federal da Bahia (UFBA).