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O que eram as "joias de crioula"

Carla Destri

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O que eram as "joias de crioula"

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Carla Destri
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COMPRAS: https://www.carladestriloja.com.br Já ouviu o termo "joias de crioula"? Vem conhecer essa parte da história brasileira. Lendo alguns livros de história da joalheria brasileira encontrei essa informação e decidi me aprofundar. Nas duas literaturas encontrei informações sobre essa particularidade da indumentária brasileira que nasceu na Bahia do século XVIII. IMPORTANTE: esse termo é o termo usado pelos historiadores. Não fui eu que inventei. Segundo os historiadores, no período em que o Brasil foi colônia de Portugal, a coroa portuguesa fazia diversas restrições a respeito da indumentária dos seus súditos. Existia uma lei que proibia os escravos de usarem itens luxuosos e isso, obviamente, incluía as joias. Mas para o povo da Bahia, parece que isso não foi um problema. Eles, inclusive, criaram algo que tem nome até hoje: as JOIAS DE CRIOULA ou JOIAS CRIOULAS. A estética dessas joias era de riqueza e de luxo, pura ostentação! Elas serviam para externar o poder dos senhores dessas escravas. Quanto mais joias os escravos tivessem, mais rico e poderoso era o seu senhor. Na pintura "Baiana do séc XVIII", de autor desconhecido, podemos observar a riqueza e a beleza das joias crioulas. Nessa obra, uma mulher negra exibe dezenas de cordões de ouro no pescoço e a cabeça farta de pentes e broches de cabelo. Existem alguns exemplares dessa joia no museu Costa Pinto, na Bahia. Eu acredito que sejam, talvez, as únicas que a gente tenha no país. SITE DO MUSEU COSTA PINTO: https://www.museucarloscostapinto.org/ DEBRET De 1816 a 1831, residiu no Brasil o artista plástico Jean-Baptiste Debret. Debret é um dos artistas fundamentais para que a gente consiga entender como funcionava a sociedade desse período. Como contratar um artista era muito caro, normalmente, as obras de arte que nós temos acesso são das famílias abastadas, posando para foto sempre muito bonitas, com as suas melhores roupas. Era tipo o instagram da época...rs Porém, para os estudos com finalidades sociológica e antropológica, isso fica muito limitado. É importante ter acesso ao comportamento e às tradições de todas as camadas sociais e ​nas obras de Debret ele retratou muito o cotidiano dos escravos. Através das suas obras é possível perceber como o convívio das amas de leite e das negras que ficavam dentro das casas dos seus senhores era muito próximo. MODA x RELIGIÃO Como todo o povo oprimido, os escravos tinham severas restrições para poder praticar o culto às suas religiões de origem. E com o convívio muito próximo das famílias dos seus senhores que, em sua maioria, eram católicas, começou acontecer a integração das religiões afro com o catolicismo. Assim, as joias de crioulas foram ganhando espaço, ​adquirindo um aspecto um pouco mais católico, e se popularizaram incorporando muitos símbolos e sinais dos cultos africanos. Talvez a joia mais icônica dessa mistura e desse período seja a penca de balangandãs. Que nada mais era do que um argolão cheio de pingentes, cada um com um significado, que funcionavam como amuletos de proteção. Nessa penca você passa a perceber símbolos da religião africana, como a figa, por exemplo, misturados às medalhas de santos e outros símbolos do catolicismo. Mas isso acontece também nas outras joias, porém a penca, para mim, é a que mais simboliza essa mistura. Outro clássico das joias de crioulas são as pulseiras em formato de copo. Que depois ficaram conhecidas, inclusive, como "pulseiras escravas". E são chamadas assim até hoje. Essas pulseiras também carregam uma forte simbologia à invocação de algumas divindades da cultura africana. Também era muito comum o uso dos correntões, feitos com bolas ocas e às vezes com alguns pingentes bem grandes que também é um símbolo de proteção e de fé. Quanto às técnicas joalheiras utilizadas nessas joias temos outra informação muito interessante: na Bahia haviam os escravos de origem "malês". Essa etnia sabia trabalhar muito bem com os metais. Eles já tinham as técnicas de fundição e por isso desenvolviam as joias para os seus cultos religiosos. Os homens que desenvolviam esse trabalho eram chamados de ferramenteiros ou ferramenteiro de santo. O trabalho deles era confeccionar os orixás, as figas, fazer o encastoamento de dente... Também faziam objetos para o santuário e objetos corporais, como todos esses que a gente já falou aqui. Quer encomendar a sua joia comigo? Para fazer o seu orçamento exclusivo e personalizado é só entrar em contato em um de nossos canais de atendimento: https://linktr.ee/carladestri SITE OFICIAL: www.carladestri.com.br _ 00:00 Joias de crioulas 01:50 Portugal proibia roupas no Brasil 02:27 Significado das joias de crioula 03:03 Joias negras no museu Costa Pinto 04:00 Jean-Baptiste Debret 05:23 Moda e religião africana Bahia séc XVIII 06:04 Penca de balangandãs 06:44 Pulseira escrava 07:15 Joalheria do séc XVII e XVIII 07:56 Ourives africanos trazidos para o Brasil 08:20 Ferramenteiro de santo 09:24 Contato Carla Destri