A VILA NORTE-COREANA ESCONDIDA NA COREIA DO SUL | Refugiados, comidas únicas e mar gelado
Gilson Nunchi
0:00 / 0:00
A VILA NORTE-COREANA ESCONDIDA NA COREIA DO SUL | Refugiados, comidas únicas e mar gelado
6 399 просмотров · 5 мес. назад
Gilson Nunchi
41,8 тыс. подписчиков
6 399 просмотров · 5 мес. назад
Neste vídeo, caminho por Sokcho, uma pequena cidade costeira da província de Gangwon-do, no leste da Coreia do Sul, onde o mar parece sempre carregar alguma coisa que ficou pelo caminho. Para muitos turistas, Sokcho é apenas a porta de entrada para Seoraksan. Um lugar de passagem antes da montanha, antes da trilha, antes da foto bonita. Mas, caminhando com mais calma, a cidade revela outra camada: uma história de refugiados norte-coreanos, comida de Hamgyeong-do, mercados antigos, vento gelado e uma sensação estranha de estar perto demais de uma fronteira que continua invisível, mas nunca desaparece completamente.
Começo o passeio em Abai Maul, uma vila formada por refugiados vindos da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia. “Abai” vem do dialeto da região de Hamgyeong-do e pode significar algo como “avô” ou “homem mais velho”. Ali, atravesso o gaetbae, uma pequena balsa manual puxada com cabos, e entro em uma parte de Sokcho onde a divisão coreana não aparece como discurso político, mas como comida, sotaque, memória e espera. Uma espera que, no começo, era temporária. Muitos chegaram imaginando que um dia voltariam para casa. Mas a unificação não veio. E o provisório virou bairro, comércio, restaurante, família, segunda geração.
Em Abai Maul, experimento comidas ligadas à tradição dos refugiados norte-coreanos, como pratos de Hamgyeong-do, caranguejo vermelho, bibimbap de honggesal e outras especialidades que dificilmente aparecem nos roteiros mais óbvios de viagem pela Coreia.
Também passo por Yeonggeumjeong, um pequeno pavilhão diante do mar, cujo nome vem da ideia de que o som das ondas batendo nas pedras lembra o som de um geomungo, instrumento tradicional coreano. Ali, Sokcho parece deixar de ser apenas uma cidade pequena e se transforma em paisagem sonora: vento, ondas, gaivotas, pedras, memória. É nesse ponto que lembro também do livro “Inverno em Sokcho”, de Elisa Shua Dusapin, uma obra atravessada por frio, deslocamento, desejo, corpo e pertencimento. Mesmo fora do inverno, Sokcho parece guardar esse frio simbólico: o frio de quem está entre lugares, entre línguas, entre países, entre uma casa perdida e uma casa improvisada.
Este não é exatamente um vídeo turístico sobre Sokcho. É uma caminhada por uma cidade pequena que carrega uma história grande demais. Uma cidade entre o mar e a montanha, entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, entre a paisagem bonita e a memória dos que nunca conseguiram voltar.
Tópicos principais do vídeo:
• Abai Maul: a vila de refugiados norte-coreanos em Sokcho;
• O gaetbae, a balsa manual que atravessa até a vila;
• Comidas de Hamgyeong-do e pratos ligados à memória dos refugiados;
• Honggesal bibimbap, caranguejo vermelho e culinária costeira;
• A relação de Sokcho com a Coreia do Norte, o Mar do Leste e Vladivostok;
• O mercado central de Sokcho e a Coreia interiorana que poucos turistas mostram;
• Yeonggeumjeong e o som das ondas como um geomungo;
• A Coreia do Sul fora do roteiro óbvio de Seul, Busan e Jeju.
📍 Gravação feita em Sokcho, Gangwon-do, Coreia do Sul.
#coreiadosul #coreia #sokcho #gangwondo #abaimauel #abaimail #coreiadonorte #refugiadoscoreanos #comidacoreana #culinariacoreana #vlognacoreia #viajandopelacoreia #koreatravel #invernoemsokcho #gilsonnunchi
▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△ ▶
00:00 - Chegada em Sokcho: Gangwon-do, o Mar do Leste e o vizinho do Norte
01:30 - Abai Maeul: o sotaque do Norte e os refugiados de Hamgyeong-do
02:55 - A balsa manual e a espera por uma unificação que não veio
03:22 - Inverno em Sokcho - o livro, o filme e a herança do deslocamento
04:06 - Memória afetiva: a pandemia de 2020 e os vendedores desesperados
04:55 - Quando Pokémon Go salvou Sokcho - uma geopolítica acidental
06:25 - Atravessando a Gaetbae: 500 won, dois tiozinhos puxando a corda
08:11 - Chegada à vila: três gerações de uma permanência improvisada
09:16 - Sundae de Ojingeo e a culinária que sobreviveu à migração
11:00 - Hamgyeong-do, a grande fome dos anos 90 e as rotas da fuga
13:11 - A Coreia que desaparece e os símbolos da independência
14:51 - Honggesal Bibimbap: provar o Norte do lado de cá
20:46 - Conversa com a dona: a segunda geração dos refugiados
22:18 - A volta na gaetbae e o caminho ao Mercado Central
27:01 - Os estrangeiros do interior: o esvaziamento das cidades coreanas
28:42 - King Crab: do Alasca à Rússia, os mares frios convergindo
29:30 - Hotel Ritz, a vista para o mar e a Cordilheira ao fundo
30:42 - Yeonggeumjeong: o pavilhão onde as ondas tocam o geomungo
31:53 - Vladivostok do outro lado: placas em russo, o porto diaspórico
36:06 - O café com vista: anotações, mocha e a escrita silenciosa
39:00 - Mapa de Gangwon-do
41:25 - Sokcho como recomendação: Abai, a balsa, as conversas
42:14 - Encerramento
▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△▼△ ▶
Insta: instagram.com/gilsonnunchi
Threads: threads.com/@gilsonnunchi
Ajude a Chegar em 50.000 INSCRITOS ► @GilsonNunchi