FIDEL CASTRO: O REVOLUCIONÁRIO QUE MUDOU CUBA E MARCOU O SÉCULO XX
Paulo Marques
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FIDEL CASTRO: O REVOLUCIONÁRIO QUE MUDOU CUBA E MARCOU O SÉCULO XX
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FIDEL CASTRO: O REVOLUCIONÁRIO QUE MUDOU CUBA E MARCOU O SÉCULO XX
Poucas figuras da história contemporânea provocam reações tão intensas como Fidel Castro (1926-2016). Para uns, foi o homem que libertou Cuba da dependência dos Estados Unidos e transformou uma pequena ilha das Caraíbas numa referência do anti-imperialismo e da justiça social. Para outros, foi o dirigente de um regime autoritário que concentrou o poder, limitou liberdades e deixou uma economia incapaz de garantir prosperidade duradoura. Entre a admiração e a crítica, permanece uma das personalidades mais marcantes do século XX.
A Cuba que o viu nascer
Quando Fidel nasceu, a 13 de agosto de 1926, em Birán, no Oriente cubano, Cuba era um país profundamente marcado pela influência norte-americana. A indústria açucareira, os serviços e parte significativa da economia dependiam do capital dos Estados Unidos. Enquanto Havana prosperava com hotéis, casinos e turistas, vastos setores da população rural viviam na pobreza.
Nas décadas seguintes, a instabilidade política tornou-se frequente. Em 1952, o general Fulgêncio Batista tomou o poder através de um golpe de Estado e instaurou uma ditadura que os opositores consideravam corrupta, repressiva e excessivamente dependente de Washington. Foi nesse contexto que o jovem Fidel começou a construir a sua intervenção política.
O filho do galego e da empregada
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu da relação entre Ángel Castro, um emigrante galego que se tornara próspero proprietário agrícola, e Lina Ruz, empregada da propriedade. Durante a infância carregou o peso de ser filho extramatrimonial, numa sociedade ainda profundamente conservadora. Só anos mais tarde a situação familiar seria regularizada.
Aos oito anos recebeu o batismo católico na Catedral de Santiago de Cuba e deixou para trás a condição de criança não batizada que lhe valera algumas humilhações entre colegas. Frequentou depois o Colégio Dolores e mais tarde o Colégio de Belén, ambos dirigidos por jesuítas espanhóis.
O rigor da educação jesuíta marcou-o profundamente. Na idade adulta recordaria frequentemente os valores que ali aprendera: disciplina, coragem, sacrifício, perseverança e sentido de missão. Foi também um aluno brilhante e um desportista competitivo. Destacou-se no basebol, no futebol e no basquetebol, chegando a ser considerado um dos melhores atletas estudantis do país.
Ainda adolescente protagonizou um episódio que se tornaria famoso. Escreveu ao presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt pedindo-lhe uma nota de dez dólares porque nunca tinha visto uma. A carta nunca teve resposta.
O estudante de fato e gravata
Em 1945 ingressou na Universidade de Havana para estudar Direito. O ambiente universitário refletia a agitação política do país e Fidel rapidamente se sentiu atraído pelos debates ideológicos e pela militância estudantil.
Vestia fato e gravata porque entendia que essa imagem lhe daria credibilidade entre colegas e professores. Rapidamente ganhou fama de excelente orador. Passava horas a discursar, discutir política e participar em ações estudantis.
Em 1948 viajou para Bogotá. Encontrava-se na cidade quando o assassínio do líder colombiano Jorge Eliécer Gaitán desencadeou violentos confrontos conhecidos como «Bogotazo». A experiência reforçou a sua visão de uma América Latina marcada pela desigualdade social e pela influência das grandes potências.
Nesse mesmo ano casou-se com Mirta Díaz-Balart, oriunda de uma família influente. Do casamento nasceu Fidel Castro Díaz-Balart, conhecido como «Fidelito». Mais tarde a relação terminaria. Ao longo da vida, Fidel manteve outras relações e teve vários filhos, preservando quase sempre a sua vida privada da atenção pública.
Moncada e «A história absolver-me-á»
A 26 de julho de 1953 liderou o ataque ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba. O objetivo era desencadear uma revolução contra Batista. O plano fracassou e muitos participantes foram mortos ou capturados.
Julgado pelas autoridades, Fidel decidiu assumir a própria defesa. Foi então que pronunciou a frase que atravessaria décadas: «A história absolver-me-á.»
Condenado a quinze anos de prisão, acabaria por beneficiar de uma amnistia cerca de vinte e dois meses depois, ainda antes de completar dois anos de cárcere.
O México, Che Guevara e o "Granma"
Libertado, partiu para o exílio no México. Foi nesse período que conheceu Ernesto «Che» Guevara, médico argentino que se tornaria uma das figuras mais importantes da Revolução Cubana.
Com o seu irmão Raúl Castro, Che Guevara e outros companheiros organizou uma nova tentativa insurrecional. Em novembro de 1956 embarcaram no pequeno iate "Granma" com destino a Cuba.
O desembarque revelou-se desastroso. Muitos homens morreram logo nos primeiros dias. Apenas um pequeno grupo conseguiu alcançar a Sierra Maestra.
Foi aí que nasceu o mito.
(...)