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Nilo Procópio Peçanha - Biografia

Enciclopédia de História

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Nilo Procópio Peçanha - Biografia

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A história de amor de Anita e Nilo é o ponto alto da biografia de um presidente de acertos e erros agudos, pano de fundo do drama que envolveu o país de sua eleição para vice, em 1906, à derrota de seu projeto de voltar por cima em 1922. Nas duas ocasiões, esteve aliado às piores forças políticas de seu tempo, coincidência infeliz a um homem de grandes qualidades e boas realizações. De antes desse período intenso de sua vida e conturbado para o país há, porém, belos e tocantes momentos a merecer registro, a fazer de Anita de Castro e Nilo Peçanha personagens adoráveis da história do Brasil. O pai de Nilo, Sebastião, parece ter prosperado como padeiro no centro de Campos, na província do Rio de Janeiro, tanto que conseguiu mandar o filho para estudar na faculdade de Direito do Recife. Sebastião começara a vida como pequeno agricultor no Morro do Coco, povoado do interior do município, o que o já doutor Nilo, cedo envolvido na política, faria questão de espalhar para exaltar a origem humilde. Nilo Peçanha deixaria o cargo antes do fim do mandato para aceitar o convite de Venceslau Brás e assumir o posto de ministro das Relações Exteriores. Em 1921, o borgismo gaúcho e o seabrismo baiano, lamentáveis fenômenos da história brasileira, se uniram a militares do Exército saudosos do florianismo e do golpismo puro e simples para lançar uma candidatura de oposição ao mineiro Artur Bernardes, apoiado pelo presidente Epitácio Pessoa e pela maioria dos estados. Nilo Peçanha seria o candidato do grupo. A campanha teve de tudo, incluindo apelos localizados ao sindicalismo de cabresto (o discurso variava conforme o público). A conjuntura nacional era adversa; a internacional, terrível, os voluntarismos políticos mais radicais arrastando grandes nações a abismos. Bernardes venceu Nilo por 60 a 40%. O fluminense acusou o adversário de ganhar pela fraude, o que é provavelmente verdadeiro, mas dos dois lados. Nilo Procópio Peçanha deixou a vida em 31 de março de 1924, quando não exercia mais cargo público. Anita viveria até 1960. Apesar de alguns equívocos, é certo que se preocupou com a sorte de seu povo, focando na possibilidade de, pelo estudo, aqueles de origem humilde, como ele, encontrarem um caminho para pequenas e grandes conquistas.