Explorador Tuga - Ó Laurinda, Linda, Linda - Junho 2026
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Explorador Tuga - Ó Laurinda, Linda, Linda - Junho 2026
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Explorador Tuga - Ó Laurinda, Linda, Linda - Junho 2026
Ó Laurinda, linda, linda,
Linda como o sol ao nascer,
Deixava o xaile na janela
Sem nada a ninguém dizer.
Ó Laurinda, linda, linda,
Dormia nas dobras do lençol,
Tinha o rosto tão formoso
Como a luz do arrebol.
Veio um homem de viagem
Numa noite de verão,
Chamou baixinho por Laurinda
Junto à sua habitação.
Perguntou se o seu marido
Se encontrava pelo lugar,
Mas diziam pela aldeia
Que andava longe a trabalhar.
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Linda como a luz do dia,)
(Toda a aldeia conhecia,)
(A sua grande formosia.)
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Flor que o vento não levou,)
(Mas o destino da sua vida,)
(Outro caminho lhe traçou.)
Onze horas, meia-noite,
Alguém bateu devagar,
Bateu uma, bateu duas,
Sem ninguém lhe responder.
Pensou logo o pobre homem
Ao ficar sem solução:
"Ou Laurinda está doente,
Ou tem nova afeição."
No corredor da moradia
Encontrou um chapéu bordado,
Perguntou de quem seria
Aquele bem trabalhado.
Disseram-lhe que era presente
Feito por mãos de mulher,
Mas no peito desconfiado
Nascia o que ninguém quer.
Mais adiante viu um casaco
Num cabide pendurado,
Perguntou de quem seria
Aquele fato bem talhado.
Responderam-lhe que era oferta
Guardada para ocasião,
Mas a dúvida crescia
Dentro do seu coração.
Na estrebaria da casa
Encontrou um belo cavalo,
Nunca o tinha visto antes,
Nem ouvira dele falar.
Disseram-lhe que fora enviado
Por família de além-mar,
Mas já nem essas palavras
O conseguiam sossegar.
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Linda como a luz do dia,)
(Toda a aldeia conhecia,)
(A sua grande formosia.)
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Flor que o vento não levou,)
(Mas o destino da sua vida,)
(Outro caminho lhe traçou.)
Foi então que um leve suspiro
Junto ao leito se escutou,
Laurinda ao ouvir aquilo
Perdeu as forças e tombou.
Caiu ao chão desmaiada
Sem palavra nem sinal,
E o silêncio daquela noite
Pareceu sobrenatural.
Ó Laurinda, linda, linda,
Não vale a pena chorar,
Todo o amor que lhe tinham
Estava prestes a acabar.
Assim conta a velha história
Que o povo ainda guardou,
De Laurinda, linda, linda,
Que o tempo nunca apagou.
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Ainda a cantam ao luar,)
(Como um romance antigo,)
(Que o povo não quer calar.)
(Ó Laurinda, linda, linda,)
(Linda como a luz do dia,)
(Toda a aldeia conhecia,)
(A sua grande formosia.)
Vai buscar as suas irmãs,
Traz todas num andor florido,
Que a mais linda entre todas elas
Será sempre o amor perdido.
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