Gil da Costa Marques - Carreira científica
Ciência com o Grupo Mário Schenberg
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Gil da Costa Marques - Carreira científica
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Ciência com o Grupo Mário Schenberg
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Nesta entrevista especial do canal Ciência com o Grupo Mário Schenberg, conversamos com Gil da Costa Marques, físico teórico, professor titular da Universidade de São Paulo, pesquisador, gestor universitário, autor de livros didáticos e divulgador científico. Percorremos sua trajetória desde a formação em Minas Gerais e na USP até a pesquisa em teoria quântica de campos, a liderança de instituições científicas, a direção do Instituto de Física da USP e sua dedicação ao ensino e à formação de professores.
Gil da Costa Marques nasceu em 19 de fevereiro de 1946, em Piraúba, então distrito de Rio Pomba, Minas Gerais. Cursou o ginásio em Petrópolis e o científico em São Paulo. Em 1965, ingressou no curso de Física da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, graduando-se em 1969. No ano seguinte, foi contratado como auxiliar de ensino do recém-organizado Instituto de Física da USP, iniciando uma trajetória de mais de cinco décadas ligada à instituição.
No IFUSP, concluiu o mestrado em 1972 e o doutorado em 1975, sob a orientação e influência científica de Jorge André Swieca, um dos mais importantes físicos teóricos que trabalharam no Brasil. Essa formação conduziu Gil à teoria quântica de campos, à física das partículas elementares e ao estudo das simetrias. Suas pesquisas abordaram grupo de renormalização, comportamento assintótico, equações de Callan–Symanzik, quebra e restauração de simetria e transições de fase, temas fundamentais para compreender as interações em diferentes escalas de energia.
Ao longo da carreira, realizou pesquisas na University of Maryland, na New York University, no CERN, nas universidades de Berlim e Bonn e na Texas A&M University. Essas experiências ampliaram sua inserção internacional na teoria quântica de campos, na física nuclear e na física de partículas.
Na USP, obteve a livre-docência em 1983, tornou-se professor adjunto em 1986 e professor titular em 1987. Como docente, ministrou disciplinas, formou estudantes e participou da organização acadêmica do IFUSP. Sua atuação expandiu-se para a gestão universitária, a política científica, a tecnologia da informação, a produção de materiais didáticos e a educação a distância.
Entre 1987 e 1991, presidiu a Sociedade Brasileira de Física durante dois mandatos consecutivos, em um período marcado pela redemocratização e por debates sobre financiamento da ciência, autonomia universitária e valorização dos pesquisadores e professores. Entre 1989 e 1992, presidiu a Federación Latinoamericana de Sociedades de Física, contribuindo para a cooperação científica regional. Em meados da década de 1990, foi eleito membro associado da Academia Brasileira de Ciências.
Gil dirigiu o Instituto de Física da USP entre 1994 e 1998 e novamente entre 2002 e 2006, totalizando aproximadamente oito anos à frente de uma das maiores instituições de ensino e pesquisa em Física da América Latina. Participou da administração de departamentos, laboratórios, cursos, infraestrutura e projetos acadêmicos, além de discussões sobre planejamento, financiamento, modernização e inserção internacional. Essa experiência está relacionada ao livro IFUSP: passado, presente e futuro, publicado em 2005.
Nas últimas décadas, o ensino de Física tornou-se uma de suas atividades centrais. Gil desenvolveu livros e materiais para estudantes universitários, professores e cursos científicos e tecnológicos. Sua abordagem vai além da aplicação de fórmulas, valorizando a origem histórica, o significado físico e a estrutura matemática dos conceitos.
Entre suas principais obras estão Mecânica Clássica para Professores, Mecânica para Ciências, Eletromagnetismo para Ciências, Fundamentos de Matemática I e II e os dois volumes de Física Universitária, dedicados à mecânica, oscilações, ondas, termodinâmica e mecânica dos fluidos.
Gil tornou-se também um dos professores da USP mais envolvidos com a educação superior a distância. Coordenou a Licenciatura em Ciências Naturais da USP e participou da coordenação da Licenciatura em Física da Univesp. Colaborou na elaboração de programas, textos e videoaulas e na formação de professores. Suas aulas de mecânica, gravitação, óptica, termodinâmica e eletromagnetismo permanecem disponíveis em plataformas digitais da USP.
Na divulgação científica, destaca-se Do que tudo é feito, publicado pela Edusp em 2010, no qual apresenta a busca histórica pelos constituintes fundamentais da matéria, dos antigos conceitos de átomo aos elétrons, núcleos, quarks, partículas elementares e campos quânticos. Em seus livros e palestras, a ciência aparece como um processo de questionamento, experimentação, elaboração matemática e revisão de ideias.