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O sertão não tinha açude público até 1906 — como cavavam água na areia do rio seco?

Antes Que a Terra Esqueça

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O sertão não tinha açude público até 1906 — como cavavam água na areia do rio seco?

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Antes Que a Terra Esqueça
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Uma mulher chega em casa no fim da tarde, em Fortaleza, abre a torneira e enche uma panela de água sem pensar duas vezes. Essa água percorreu mais de duzentos quilômetros, saindo de um lago artificial tão grande que encheria mais de dois milhões de piscinas olímpicas, debaixo do qual existe uma cidade inteira afogada de propósito. Parece natural que o Estado brasileiro cuide da água do sertão, que existam açudes, carros-pipa e programas de emergência. Mas durante mais de três séculos não foi assim. O primeiro grande açude público do Brasil só ficou pronto em 1906. O primeiro órgão federal para enfrentar a seca só nasceu em 1909. Antes disso, quando a chuva faltava, o governo mandava farinha, quando mandava, e esperava o céu mudar de ideia. O que obrigou o país a mudar de postura não foi um plano nem uma lei visionária. Foi uma catástrofe. Entre 1877 e 1879, uma seca matou entre quatrocentas e quinhentas mil pessoas nas províncias do norte do Império, proporcionalmente a maior tragédia da história do Brasil. Neste episódio você vai entender como o sertanejo sobrevivia à seca antes de existir qualquer política pública, o que aconteceu quando o governo imperial tentou socorrer uma população inteira e o socorro nunca chegou direito, a origem real da expressão indústria da seca, que os brasileiros ainda usam hoje com raiva, e a história de um farmacêutico órfão que, montado num cavalo branco, enfrentou sozinho o que o Estado se recusava a enfrentar. Este vídeo usa recursos de IA para representar as imagens nele contidas.