Abre a Janela
Rose Any
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Abre a Janela
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Tudo o que nasce tem uma causa.
Tudo o que muda deixa sinais.
Antes de aceitar respostas prontas,
olhe de frente para o que existe.
[Verso 1 — Voz feminina]
Na vida, tudo é natural,
na vida, tudo pode ser visto.
Cada acontecimento pede uma pergunta,
cada mistério merece investigação.
Não há reino oculto sobre nós,
nem asas guardando o destino;
há matéria, tempo, acaso e escolha,
há o mundo esperando atenção.
[Pré-Refrão]
Mas nos levaram pela estrada da promessa,
um livro fechado virou direção.
Disseram: “não duvide, apenas siga”,
e vestiram o medo de salvação.
[Refrão — Voz feminina e coro]
Abre a janela, deixa o pensamento entrar,
ninguém nasceu para viver de joelhos ao medo.
Rumo à liberdade, rumo ao pensar,
sem dono invisível escrevendo o segredo.
Se a esperança é nossa, que seja consciente,
se a cura existe, que venha da razão.
Abre a janela, levanta a mente,
liberdade começa dentro do coração.
[Verso 2 — Voz feminina]
Prometeram saúde além da morte,
um lugar sem pranto, sem fim.
E nós, tão frágeis diante da perda,
abraçamos o que disseram de nós.
A mente aprende, a mente repete,
a mente constrói uma fortaleza;
uma criança pode chamar de verdade
qualquer história contada com certeza.
[Declamação masculina]
É assim que uma ideia se torna muralha:
uma voz repetida, uma culpa, uma ameaça.
E há quem entregue a própria vida
para defender uma resposta que nunca pôde examinar.
[Refrão — Voz feminina e coro]
Abre a janela, deixa o pensamento entrar,
ninguém nasceu para viver de joelhos ao medo.
Rumo à liberdade, rumo ao pensar,
sem dono invisível escrevendo o segredo.
Se a esperança é nossa, que seja consciente,
se a cura existe, que venha da razão.
Abre a janela, levanta a mente,
liberdade começa dentro do coração.
[Verso 3 — Voz feminina]
Nas páginas antigas, o criador molda o cenário,
e o homem tropeça numa prova preparada.
Depois lamenta a própria obra,
e a água cobre a terra castigada.
No Egito, séculos de cativeiro,
depois pragas sobre uma noite sem perdão;
mas ainda erguem leis sobre essas narrativas,
e fazem fronteiras dentro da população.
[Ponte — Crescendo]
Não quero humilhar quem busca consolo,
nem fingir que sei tudo sobre o fim.
Só quero espaço para a dúvida,
para a ciência cuidar de nós.
Enquanto discutimos criaturas e castigos,
quantas doenças esperam solução?
Quanto talento fica preso num castelo,
quanto futuro perde a direção?
[Declamação masculina]
Não somos donos da verdade.
Somos responsáveis pelas perguntas.
E uma sociedade que pode revisar suas certezas
pode avançar mais depressa.
[Refrão Final — Voz feminina, coro completo]
Abre a janela, deixa o pensamento entrar,
ninguém nasceu para viver de joelhos ao medo.
Rumo à liberdade, rumo ao pensar,
sem dono invisível escrevendo o segredo.
De mãos dadas com quem encara o sistema,
sem violência, sem ódio, sem submissão.
A coragem de pensar rompe o problema,
liberdade começa dentro do coração.
[Outro — Voz feminina]
Tudo é natural, tudo pode ser entendido,
o futuro não precisa de altar.
Se a mente é nossa, o caminho é aberto:
ninguém pode nos impedir de perguntar.
[Outro — Declamação masculina]
Pensamento livre.
Ciência para todos.
Coragem para recomeçar.