ANÁLISE DA PESQUISA CNT-MDA MOSTRA LULA COM 14 MILHÕES DE VOTOS VÁLIDOS DE VANTAGEM SOBRE FLÁVIO
Arquimedes de Castro
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ANÁLISE DA PESQUISA CNT-MDA MOSTRA LULA COM 14 MILHÕES DE VOTOS VÁLIDOS DE VANTAGEM SOBRE FLÁVIO
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A nova rodada da pesquisa CNT/MDA confirma Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da disputa presidencial de 2026, mas também mostra um cenário mais competitivo na reta final da campanha. O levantamento, realizado entre 9 e 13 de setembro com 2.002 entrevistas, aponta Lula com 40,5% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30,4% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece com 6,0%, Ronaldo Caiado com 3,0%, Renan Santos com 2,7%, Pablo Marçal com 1,8%, Romeu Zema com 1,0% e outros nomes somam 1,1%. Brancos e nulos representam 6,0% e os indecisos, 7,5%.
Quando retiramos brancos, nulos e indecisos para reproduzir a lógica dos votos válidos, Lula alcança aproximadamente 46,8%, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 35,1%. A diferença entre os dois fica em torno de 11,7 pontos percentuais nos votos válidos. Isso significa que Lula continuaria na frente, mas abaixo dos 50% mais um necessários para uma vitória no primeiro turno. A fotografia central da CNT/MDA, portanto, ainda aponta para a realização de segundo turno.
É nesse ponto que a conversão dos percentuais em votos absolutos ajuda a dimensionar politicamente a vantagem. O Tribunal Superior Eleitoral informa que 158.745.463 eleitores estão aptos a votar em 2026. Nas eleições de 2022, 79,05% do eleitorado compareceu ao primeiro turno e foram contabilizados 118.229.719 votos válidos, equivalentes a 95,59% dos votos depositados.
Se 2026 repetisse aproximadamente o padrão de comparecimento e de votos válidos de 2022, teríamos algo próximo de 120 milhões de votos válidos para presidente. Aplicando os percentuais válidos projetados pela CNT/MDA, Lula teria aproximadamente 56 milhões de votos, contra pouco mais de 42 milhões para Flávio Bolsonaro. A diferença seria da ordem de 14 milhões de votos válidos.
É importante deixar metodologicamente claro: esses 14 milhões não são um número publicado pela CNT/MDA. Trata-se de uma projeção analítica construída a partir dos percentuais da pesquisa, do eleitorado oficial de 2026 e do padrão de participação eleitoral observado no primeiro turno de 2022. Dependendo do arredondamento utilizado nos percentuais, o resultado varia ligeiramente, mas permanece muito próximo de 14 milhões. A projeção serve para dimensionar a vantagem, não para prever o número exato de votos que cada candidato terá nas urnas.
A pesquisa espontânea reforça a liderança de Lula, mas também registra crescimento de Flávio Bolsonaro. Sem a apresentação dos nomes dos candidatos, Lula aparece com 36,6%, contra 26,7% de Flávio. Augusto Cury registra 4,4%, enquanto os indecisos ainda representam 20,9%. A redução do grupo de eleitores sem candidato definido é especialmente importante porque indica um processo de consolidação das escolhas eleitorais.
Outro dado confirma esse endurecimento das posições: 79,8% dos entrevistados afirmam que sua decisão de voto já é definitiva. Entre os eleitores de Lula, aproximadamente 87% dizem não pretender mudar; entre os de Flávio Bolsonaro, o índice fica próximo de 86%. A campanha entra, portanto, em uma fase na qual conquistar novos eleitores pode depender cada vez mais da transferência dos votos de candidaturas menores e da pequena parcela ainda disponível à persuasão.
No cenário mais provável de segundo turno, Lula aparece com 47,3%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 40,0%. Brancos e nulos somam 10,2%, e os indecisos representam 2,5%. Convertendo apenas os votos atribuídos aos dois candidatos em votos válidos, Lula teria aproximadamente 54,2%, contra 45,8% de Flávio, uma vantagem de cerca de 8,4 pontos percentuais.
A vantagem presidencial convive, entretanto, com sinais de desgaste do governo. A avaliação positiva da administração Lula é de 33,8%, enquanto 39,4% classificam o governo como ruim ou péssimo. Outros 25,4% consideram o governo regular. Na avaliação pessoal do presidente, 45,9% aprovam Lula e 49,7% desaprovam seu desempenho. O dado mostra que a liderança eleitoral de Lula não significa necessariamente uma avaliação majoritariamente positiva de seu governo. Parte de sua vantagem decorre também da comparação direta com os adversários e da elevada rejeição existente nos dois polos.
A rejeição espontânea confirma essa polarização. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 44,2%, enquanto Lula aparece com 41,1%. Os dois principais candidatos concentram não apenas a maior intenção de voto, mas também os maiores níveis de resistência. A própria pesquisa mede essa dimensão emocional: aproximadamente 44,9% manifestam receio de uma volta do campo bolsonarista ao poder, enquanto 44,1% demonstram temor em relação à continuidade de Lula.
O levantamento de setembro está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06902/2026.
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