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Caminho de Santiago Francês | 11º Dia: Azofra a Grañón

Caminhando com Iracema

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Caminho de Santiago Francês | 11º Dia: Azofra a Grañón

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Caminhando com Iracema
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Neste décimo primeiro dia do Caminho de Santiago de Compostela pelo Caminho Francês, seguimos de Azofra até Grañón, em uma etapa de aproximadamente 20,3 km. Saímos de Azofra bem cedo. Os pássaros cantavam como se estivessem nos saudando enquanto caminhávamos por estradas cercadas de plantações de uvas e campos de trigo. Passamos por Cirueña, um povoado que naquele momento parecia quase deserto. Pelo percurso, encontramos símbolos ligados à peregrinação, vieiras e outras marcas que indicavam que continuávamos avançando na direção de Santiago. Achei esta uma etapa cansativa. Havia trechos longos e repetitivos, nos quais podíamos observar os peregrinos caminhando ao longe. Apesar do esforço, o visual era muito bonito. Na Espanha, muitas pessoas têm o hábito de fazer caminhadas durante os finais de semana. Por isso, o movimento nas trilhas aumentava, deixando o Caminho mais intenso, movimentado e colorido. A primavera também estava presente. Encontramos muitas flores ao longo do percurso, tornando a paisagem ainda mais bonita. Chegamos a Santo Domingo de la Calzada em um domingo festivo e encontramos um grupo de músicos fazendo uma apresentação. Depois de tantos quilômetros, a música trouxe vida e alegria à chegada. A cidade possui monumentos enormes e impressionantes. Entre eles está o Mosteiro de Nossa Senhora da Anunciação, construído no início do século XVII e ligado às religiosas cistercienses. Sua hospedaria mantém até hoje a tradição de acolher peregrinos. Santo Domingo de la Calzada também é conhecida pela famosa lenda do galo e da galinha. Segundo a tradição, um jovem peregrino alemão viajava com seus pais em direção a Santiago de Compostela. Durante a passagem pela cidade, uma jovem teria se apaixonado por ele, mas não foi correspondida. Como vingança, ela escondeu uma taça de prata na bagagem do rapaz e depois o acusou de roubo. O jovem foi condenado e enforcado. Mais tarde, seus pais encontraram o filho ainda vivo na forca e correram para avisar o juiz. O magistrado estava diante de um prato com um galo e uma galinha assados e teria respondido, com ironia: “Seu filho está tão vivo quanto este galo e esta galinha que vou comer.” Naquele instante, segundo a lenda, as aves saltaram do prato e começaram a cantar. Em memória desse milagre, a Catedral de Santo Domingo de la Calzada mantém até hoje um galo e uma galinha brancos vivos em seu interior. Dessa história nasceu o famoso ditado: “Santo Domingo de la Calzada, onde cantou a galinha depois de assada.” Depois de conhecer um pouco mais da cidade e de sua história, continuamos nossa caminhada até Grañón. Chegamos ao Hospital de Peregrinos San Juan Bautista, um albergue paroquial que funciona por donativos. Cada peregrino contribui com o valor que pode. A lógica do lugar é muito bonita: os donativos deixados pelos peregrinos do dia anterior ajudam a alimentar aqueles que chegam hoje, enquanto aquilo que oferecemos servirá para receber os peregrinos que chegarão amanhã. A comida é preparada por voluntários e peregrinos. Tudo é compartilhado: o espaço, o jantar, as histórias e o espírito de acolhimento. Dormimos juntos em colchonetes colocados lado a lado. Não havia luxo nem privacidade. Era uma experiência de desapego completo, simplicidade e convivência. Gostei muito daquela noite. O albergue mostrou, de maneira concreta, que o Caminho não é feito apenas de quilômetros, paisagens e monumentos. O Caminho também é feito daquilo que cada peregrino recebe, compartilha e deixa para quem ainda vai chegar. #CaminhoDeSantiago #SantiagoDeCompostela #CaminhoFrances #CaminoFrances #Azofra #Granon #SantoDomingoDeLaCalzada #Cirueña #GaloEGalinha #Peregrinação #Peregrinos #AlbergueParoquial #DiarioDeViagem #ViagemAPe #TurismoReligioso