76. PERSONAGENS AMBÍGUOS
Razão Crítica
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76. PERSONAGENS AMBÍGUOS
28 просмотров · 11 дн. назад
Razão Crítica
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Neste vídeo, propomos uma reflexão sobre personagens ambíguos em tempos de crise de referenciais, quando as fronteiras entre autenticidade e performance, desejo e impostura, adaptação e transgressão se tornam cada vez mais instáveis. Em contextos nos quais normas sociais, ideais de sucesso e critérios de valor já não oferecem orientação sólida, a subjetividade tende a oscilar entre fascínio, desorientação e reinvenção de si. A ambiguidade do personagem moderno, nesse sentido, não é mero traço psicológico: ela expressa um mal-estar mais amplo, inscrito na própria cultura.
A partir de O Talentoso Ripley, de Anthony Minghella, analisamos a sedução da máscara, o desejo de pertencimento e a plasticidade inquietante de uma identidade que se molda ao olhar do outro. O filme mostra como charme, imitação e ascensão social podem se articular a vazio interior, ressentimento e dissolução moral, compondo um personagem ao mesmo tempo fascinante e perturbador. Em diálogo com O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, discutimos como a vida em sociedade exige renúncias, repressões e acomodações que produzem tensão permanente entre pulsão, norma e ideal, abrindo espaço para formas ambíguas de subjetivação e conflito.
Ao final, o eixo é direto: personagens ambíguos não apenas desafiam nosso julgamento — eles revelam uma época em que os referenciais vacilam, o eu se torna instável e o mal-estar passa a habitar a própria busca por identidade.
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