HUMANISMO PÓS-METAFÍSICO E HISTÓRIA,AULA NA PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA-UFPB.17.10.24PROF.NEWTON LIMA
Filosofia do Direito e Pensamento Político
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HUMANISMO PÓS-METAFÍSICO E HISTÓRIA,AULA NA PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA-UFPB.17.10.24PROF.NEWTON LIMA
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Uma antropologia pós-metafísica apenas pôde se desenvolver enquanto pensamento de caráter sintético da modernidade crítica da religião a partir da reconstrução da autoconsciência do ser humano de sua historicidade e liberdade,vinculadas diretamente à decadência do projeto de "salvação" e de um fim para além do mundo, portanto, na visão secular do cristianismo desde do medievo com Paulo Orósio,com o milenarismo de Joaquim de Flora,o gnosticismo do catarismo,a ideologia salvífica cristã foi se imanentizando em ideologia humanista e sua radical falta de sentido que eclode na crise teológica da sociedade estamental associada também ao impulso científico convolado a partir da metade do século XVII,assim,o projeto do iluminismo radical gerou uma cultura de gradual descrença não somente nos filósofos "clandestinos" e nos hereges em perseguição,mas na própria formação do pensamento técnico e científico em ascensão;o projeto iluminista perfez uma nova configuração de mundo,o materialismo decorrente da inconciliável dualidade cartesiana entre alma e corpo e do imanentismo do "Deus sive natura" spinozista e suas descrenças na revelação sobrenatural e na alma imortal certificada pela Tradição,foram sobejamente influenciadores da crise do mundo hierárquico tardo medievo, que ficou sem base da ontologia da racionalidade teleológica da alma,o fim do mundo como um percurso supra histórico perde o sentido,a desconfiança cética de um Hume sobre a metafísica,o sensualismo de um Condorcet na defesa de uma moral laica, o materialismo naturalista de um Barão de Holbach,contribuíram para a desintegração do humanismo ético cristão como projeto universal salvífico da alma de base moral teológica, que entra em crise metodológica das fontes históricas com o advento da crítica bíblica de Newton e Reimarus;a relação perfeição moral/escatologia salvífica é desautorizada perante Kant e sua deontologia racional da autonomia universal da vontade autodeterminante,o que influenciará Feuerbach em sua crítica da antropologia cristã, sua análise da hipostasiação da ideia de Deus em suas propriedades fenomenológicas essenciais,Amor,Caridade e Esperança,a assimilação dessas características éticas numa produção de sentido teológico-escatológico, e a derrubada da idolatria religiosa pelo humanismo pós-metafísico("Da essência do cristianismo",1841;"Da essência da religião",1846),com a consciência radical de uma humanidade sem Deus e sem uma metafísica transcendente,já antecipada na crítica fenomenológica de Hegel a Kant e sua formalidade conceitual sobre a teologia, a proclamação hegeliana em "Fé e Saber"(1802) da "Morte de Deus" são a constatação de que a fórmula prática da razão para a existência de Deus seria o uso de sua praticidade conceitual no âmbito da tradição moral(o argumento de Hume para a origem e manutenção dos valores conservadores).O próprio romantismo e sua visão liberal idealista e utópica da liberdade,sua adesão ao tardo medievalismo como suposta reminiscência de uma época santa perfeita foi um resgate ideológico do cristianismo,mas somente imanente e ético-estético,sem a liturgia religiosa e a escatologia metafísica,e se transformou em ideologia política étnica e nacionalista em Fichte e Herder,o bem moral da salvação agora percebido como bem político da comunidade,e a perfeição ética do indivíduo assumida através da ontologia da liberdade egoísta na egoidade absoluta de Fichte,um projeto de substituição da cultura de liberdade como uma liberdade do povo alemão pós-cristã,Fichte e Hegel confirmaram a liberdade da modernidade como um movimento de manifestação do Espírito enquanto autonomia e construção de uma comunidade ética,onde Deus é a própria cultuação do ethos imanentista e teleológico da comunidade em substituição à teologia politica própria do catolicismo universalista e institucional como demonstrará Schmitt em "Teologia Política"(1922).O humanismo liberal do romantismo é expressão do novo homem secular, sem Deus, sem uma teleologia da liberdade transcendente, decaído e,depois, frustrado em sua própria ideação de liberdade sem metafísica,a ausência de uma estrutura de ser é resolvida em formas simbólicas de resgate do mito da unidade,seja na estatalidade nacionalista do nazismo e seu misticismo coletivista da "raça pura" denunciado por Cassirer e Radbruch, seja no culto da ciência positivista e do direito legal como no "direito puro" de Kelsen,tudo começa em Napoleão e seu culto do próprio dasein como mostra Heidegger;a crise existencial se expressa também na performance despersonalizadora da individualidade criativa na democracia contemporânea exposta por Nietzsche.Se a superação da religião pela razão pós-metafísica é inevitável e necessária, a liberdade laica gerou uma crise de valores que clamam por uma dação de sentido à existência e uma política como diálogo em prol do bem comum e não manipulação e não aliada à alienação capitalista da autenticidade da liberdade e da solidariedade de um humanismo laico libertador.