ANÁLISE DA PESQUISA DATAFOLHA MOSTRA VITÓRIA DE LULA COM 51,3% DOS VOTOS VÁLIDOS, FLÁVIO TEM 40,8%
Arquimedes de Castro
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ANÁLISE DA PESQUISA DATAFOLHA MOSTRA VITÓRIA DE LULA COM 51,3% DOS VOTOS VÁLIDOS, FLÁVIO TEM 40,8%
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A nova pesquisa Datafolha, divulgada em 1º de outubro e detalhada pelo instituto nesta sexta-feira (2), mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Na conta oficial de votos válidos publicada pelo Datafolha — que exclui brancos, nulos e indecisos — Lula aparece com 45%, e Flávio, com 40%. O próprio instituto ressalta que pesquisa eleitoral não é previsão do resultado das urnas.
Na pergunta espontânea, em que o entrevistador não apresenta a lista de candidatos, Lula é citado por 39% dos eleitores e Flávio Bolsonaro por 31%. Jair Bolsonaro, que não disputa a Presidência, é mencionado por 4%; Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 2% cada; 5% declaram branco ou nulo e 13% ainda não sabem em quem votar.
Se fizermos um cálculo editorial restrito aos cinco candidatos cujos percentuais espontâneos foram explicitados com pelo menos 2% — Lula, Flávio, Cury, Renan e Caiado — esse conjunto soma 76 pontos. Nesse recorte matemático, Lula teria 39 ÷ 76 = 51,3%, Flávio 31 ÷ 76 = 40,8%, e Cury, Renan e Caiado aproximadamente 2,6% cada.
Há uma ressalva fundamental: essa não é uma projeção oficial de votos válidos do Datafolha. O relatório registra também candidatos com menções inferiores a 1%, que não aparecem individualmente nos números resumidos. Por isso, 51,3% deve ser apresentado como simulação editorial baseada nas categorias publicadas, e não como previsão estatística de vitória.
A geografia eleitoral revela um país dividido regionalmente. No Nordeste, Lula registra 56% contra 26% de Flávio. No Sul, ocorre o movimento inverso: Flávio tem 50% e Lula, 30%. No Sudeste, os dois aparecem praticamente nivelados, com 40% para Lula e 39% para Flávio, diferença compatível com empate técnico. O levantamento também registra vantagem de Flávio no agregado Centro-Oeste/Norte. Portanto, não existe liderança uniforme de um candidato em todas as regiões; há uma distribuição territorial bastante distinta do voto.
Nos recortes sociais, Lula marca 50% entre católicos, 50% entre famílias com renda de até dois salários mínimos e 54% entre eleitores com ensino fundamental. Flávio alcança 52% entre evangélicos e 47% nas faixas de renda superiores a dois salários mínimos. Entre as mulheres, Lula aparece com 45% e Flávio com 35%; entre os homens, ambos têm 40%.
Nas simulações de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente em todos os confrontos testados: 48% a 45% contra Flávio Bolsonaro; 48% a 42% contra Ronaldo Caiado; 49% a 40% contra Romeu Zema; 48% a 39% contra Renan Santos; e 47% a 42% contra Augusto Cury. No confronto Lula × Flávio, entretanto, a diferença de três pontos está dentro do intervalo decorrente da margem de erro nacional de ±2 pontos para cada resultado, sendo classificada como empate técnico.
Outro indicador importante é o grau de consolidação do voto. Entre os entrevistados que já indicam algum candidato, 82% dizem estar totalmente decididos, enquanto 17% admitem que ainda podem mudar até a votação. Na espontânea, 13% permanecem indecisos. A rejeição dos dois principais candidatos também é elevada: Lula e Flávio registram 45% cada entre os eleitores que afirmam não votar neles de jeito nenhum.
O levantamento ouviu 2.506 eleitores em 152 municípios, em entrevistas presenciais, entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026. A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08039/2026.
O retrato apresentado pelo Datafolha, portanto, é de vantagem numérica de Lula no primeiro turno e em todas as simulações nacionais de segundo turno, acompanhada de fortes diferenças regionais e sociodemográficas. A espontânea sugere maior consolidação dos dois principais nomes, mas transformar seus percentuais em votos válidos exige cautela: a simulação de 51,3% é uma ferramenta de análise, não uma antecipação do resultado das urnas.
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