Santuário Barroco de Nsa. Sra. d´Aires, Viana do Alentejo, e seu notável castelo gótico - Portugal
Lugares Encantados em Portugal
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O local do santuário de Nossa Senhora d´Aires regista a presença romana no espaço com um vicus (unidade territorial) datável do século II d.C, bem como a presença do povo árabe a partir do século VII d.C. Já para o século XVI é referido por algumas fontes históricas a presença de uma ermida, com uma possível ligação à presença templária no território.
Na portada, uma inscrição em latim relata que após a expulsão dos mouros destas terras, um lavrador arava o campo quando encontrou dentro de um pote de barro a imagem que se vê no altar. O edifício tem uma planta de cruz latina, composta por uma única nave, com cobertura em abóbada de berço. No interior, destaca-se o altar de talha em estilo rococó.
O santuário Barroco de Nossa Senhora d´Aires, Foi uma ermida quinhentista, que por sua vez foi antecedida por um templo paleocristão, a qual foi expandida através de um projeto de índole barroca, implementado entre 1743 e 1804, que esteve a cargo do Padre João Baptista.
A História da Arte considera-o uma das referências do barroco regional, pela erudição do seu programa decorativo, uma das referências do barroco regional, fortemente influenciado pelas obras de Frederico Ludovice e pela organização espacial onde se denotam claras influências do trabalho de Bernini na Basílica de São Pedro em Roma.
Dois dos eventos mais emblemáticos de Viana do Alentejo estão relacionados com este local: a feira franca de Nossa Senhora D’Aires, que desde 1751 decorre no quarto fim-de-semana de setembro; e a Romaria a Cavalo, que percorre os 120 kms da antiga canada real, entre a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita do Ribatejo, e este santuário, em Viana do Alentejo, que costuma realizar-se no quarto fim-de-semana de abril.
Neste santuário venera-se a imagem em pedra de Ançã da antiga padroeira, Nossa Senhora da Piedade. Essa imagem, em que Nossa Senhora está sentada com Jesus morto nos braços, é objeto de grande fé, pois segundo a tradição nunca deixou de socorrer os crentes, como o confirmam os inúmeros ex-votos expostos na Casa dos Milagres, uma coleção de arte popular única e singular que inclui objetos de diversas épocas como fotografias antigas, vestidos de noiva e tranças de cabelos.
A fé popular é comprovada através da Casa dos Milagres, cujas paredes estão totalmente revestidas de ex-votos, constituindo um dos mais curiosos “museus” de arte popular do país, onde as pessoas colocam o pagamento das suas promessas à Protetora
Quando verificamos as páginas da História do Santuário de Nossa Senhora D’Aires, notamos que sempre foi um espaço de passagem e de encontro da fé católica. Numerosos grupos de peregrinos afluíam na sua fé ao santuário, proveniente de terras como Alvito, Alcácer do Sal, Vidigueira, Cuba, Beja, Torrão, Montemor-o-Novo, Évora, e Vila de Frades, nos períodos festivos de setembro e outubro.
O CASTELO GÓTICO DE VIANA DO ALENTEJO
Acredita-se que a primitiva ocupação de seu sítio remonte à época da Invasão romana da Península Ibérica, a julgar pelos testemunhos arqueológicos encontrados nas redondezas, em particular no sítio de Paredes. As invasões de povos germânicos e, posteriormente, de Muçulmanos mantiveram a exploração agrícola da região, que perdurava, quando foi alcançada pelas lutas da Reconquista cristã, quando entrou na posse de Portugal à época da conquista das vizinhas Évora e Beja. No local da ermida de Nossa Senhora d'Aires, onde foram identificados restos de edificações, de uma necrópole com lápides funerárias e de moedas romanas da época dos primeiros imperadores.
Após o falecimento de D. Martim Gil, senhor destes domínios, o rei Dinis de Portugal (1279-1325) tomou posse dos mesmos, passando Carta de Foral à povoação (1313) documento onde é denominada como Viana-de-a-par-de-Alvito, regulando-lhes as relações e doando cem libras para as suas obras de fortificação. Iniciaram-se, assim, as obras de construção do castelo e da cerca da vila. No ano seguinte (1314), a vila e seus domínios foram doados pelo soberano a seu filho, o futuro Afonso IV de Portugal, com a cláusula de o não trespassar a ninguém, salvo à esposa, a infanta castelhana D. Beatriz, o que ele efetivamente fez, em 1357, poucos dias antes de falecer.
O castelo classificado como monumento nacional por decreto de 16/06/1910, o conjunto arquitetónico do Castelo de Viana do Alentejo é composto pela estrutura amuralhada e por um conjunto de espaços religiosos que se encontram no seu interior: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Anunciação, pela Igreja da Misericórdia de Viana do Alentejo, pela Capela de Santo António e pela antiga capela de Nossa Senhora da Assunção, hoje convertida no centro de interpretação para o conjunto.