COMBATE NA FAZENDA FAVELA
Kinko Pelegrine
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COMBATE NA FAZENDA FAVELA
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Kinko Pelegrine
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A perseguição a Lampião fazia parte de uma guerra prolongada no sertão, marcada por violência, medo, vinganças e confrontos entre cangaceiros e forças policiais.
Na fazenda Favela, a volante de cem homens sofreu um golpe severo. Seis soldados perderam a vida, numerosos companheiros ficaram feridos e os sobreviventes precisaram abandonar o campo de combate.
Zé Saturnino e Manoel Neto eram homens valentes. Mas aquela experiência demonstrou que a valentia não impedia uma emboscada, nem garantia a vitória.
O grupo de Sabino Gomes conhecia o terreno e estava em posição favorável. Os policiais, por sua vez, chegaram sem saber que havia cangaceiros na casa-grande e na capineira.
Lampião estava em outra casa, descansando com parte de seu grupo, quando o tiroteio começou.
Assim terminou aquele episódio de novembro de 1926: com mortos dos dois lados, soldados feridos e uma tropa obrigada a encarar o preço de uma perseguição malograda.
A caatinga guardou os ecos dos disparos, enquanto os sobreviventes carregaram consigo as lembranças daquele dia.
No sertão de Lampião, muitas batalhas não eram decididas apenas pela quantidade de homens ou pelo número de armas. A informação, o conhecimento do terreno, a surpresa e a capacidade de manter a calma diante do perigo também faziam diferença.
A fazenda Favela tornou-se, nesta narrativa, o retrato de uma verdade dura da guerra no cangaço: homens corajosos podiam entrar numa batalha acreditando que estavam caçando o inimigo e descobrir, tarde demais, que haviam caído numa armadilha.
E, quando a poeira baixava, não restava glória capaz de devolver a vida aos que ficaram pelo caminho.
Trilha sonora do vídeo Vital Farias em "Antífona de Lampião"