Por que conhecer História muda a sua vida?
Trespasse
0:00 / 0:00
Por que conhecer História muda a sua vida?
188 просмотров · 6 дн. назад
Trespasse
80 подписчиков
188 просмотров · 6 дн. назад
Uma defesa do estudo da História como forma de escapar da prisão do presente, compreender melhor a própria circunstância e ampliar aquilo que somos capazes de imaginar como possível.
W.H. Auden, "Espanha, 1937" (tradução José Paulo Paes)
Ontem todo o passado. A linguagem do tamanho
Expandindo-se à China por rotas de comércio; a difusão
Do ábaco e do cromlech;
Ontem o cálculo da sombra em regiões solares.
Ontem a segurança avaliada pelas cartas,
O vaticínio da água; ontem a invenção
Da roda de carro e do relógio, a doma
De cavalos; ontem a azáfama do mundo navegante.
Ontem a abolição de fadas e gigantes;
A fortaleza, a águia imóvel a vigiar o vale,
A capela construída na floresta.
Ontem a talha de anjos e gárgulas medonhas;
O julgamento de heréticos entre colunas pétreas;
Ontem disputas teológicas em tascas
E a cura milagrosa junto à fonte;
O Sabá das Bruxas ontem. Hoje porém a luta.
Ontem a instalação de dínamos, turbinas;
A construção de ferrovias no deserto colonial;
Ontem a sempre clássica palestra
Sobre a origem da Humanidade. Hoje porém a luta.
Ontem a crença no valor absoluto da Hélade;
A cortina baixando sobre a morte do herói;
Ontem a prece no findar do dia,
E a adoração dos doidos. Hoje porém a luta.
E quando o poeta, alarmado, cicia entre espinhos
Ou onde canta a cascata solta, densa, ou aprumado
Sobre o penhasco ao pé da torre pensa:
“Oh visão minha, oh dai-me a estrela dos marujos.”
E o investigador perscruta com seus instrumentos
As imensas províncias, os bacilos varonis
Ou o enorme Júpiter consumado:
“Mas e as vidas de meus amigos. Eu pergunto que pergunto.”
E os pobres em suas casas sem lume abandonando as folhas
Do vespertino: “Nosso dia é o nosso dono. Oh vem mostrar-nos
História o operador, o
Organizador, o refrescante rio do Tempo.”
E as nações concertam cada grito, conjurando a vida
Que afeiçoa o ventre individual e ordena
O terror noturno privativo:
“Não viste a cidade-Estado das esponjas erguer
Outrora o vasto império militar do esqualo
E do tigre, fundar o cantão do tordo, destemido?
Intervém. Oh desce como pomba ou
Como furioso papá ou engenheiro benigno: mas desce.”
E a vida, se dá qualquer resposta, esta vem do coração
E dos olhos e pulmões, das lojas e das praças da cidade:
“Não, oh não sou eu o Propulsor,
Não hoje, tampouco para ti. Para ti sou o
“Capacho, o parceiro de bar, o fácil de iludir;
Eu sou o que fizeres; sou teu voto de ser
Bom, a tua história hilariante;
Sou tua voz de negócios; sou teu casamento.
“Qual a tua proposta? A Cidade Justa? Sim.
Concordo. Ou é um pacto de suicídio, a morte
Romântica? Muito bem, aceito, pois
Sou tua escolha, tua decisão: sim, sou Espanha.”
Muitos ouviram em penínsulas remotas,
Planícies sonolentas, ilhas de pescadores aberrantes,
No coração corrupto da cidade;
Ouviram e migraram, qual gaivotas ou sementes de uma flor.
Carrapichos, grudaram-se em longos trens expressos
A guinar por terras de injustiça, pela noite, pelo alpino túnel;
Flutuaram por sobre oceanos;
Atravessaram passos; vieram ofertar as suas vidas
Naquele árido quadrado, fragmento decepado à África
Escaldante e toscamente unido à inventiva Europa,
Naquele chapadão de rios cortado,
As formas ameaçadoras de nossa febre são precisas, vivas.
Amanhã o futuro talvez: a pesquisa da fadiga
Dos movimentos de empacotadores: a exploração gradual de
Todas as oitavas da radiação;
Amanhã a consciência alargada pela respiração e por dietas.
Amanhã o amor romântico descoberto uma outra vez;
A fotogravação de corvos; o divertimento todo à
Sombra magistral da Liberdade;
Amanhã a hora do diretor de préstito e do músico.
Amanhã, para os jovens, poetas explodindo feito bombas,
O passeio à beira do lago, o inverno de perfeita comunhão:
Amanhã a corrida de ciclistas
Pelos subúrbios nas tardes de verão; hoje porém a luta.
Hoje o inevitável aumento das chances de morrer
A cônscia aceitação da culpa no fato do assassínio;
Hoje o dispêndio de poderes
No enfadonho, efêmero panfleto e no comício chato.
Hoje as consolações provisórias; o cigarro partilhado;
As caras no celeiro à luz de vela e o concerto improvisado,
Os gracejos masculinos; hoje o
Abraço canhestro, insatisfeito, antes da dor.
As estrelas estão mortas; os animais não veem;
Estamos sós com o dia que nos coube, o tempo é curto e a
História em vias de derrota
Pode dizer um ai mas não nos pode absolver nem ajudar.
https://almaacreana.blogspot.com/2016...