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Por que conhecer História muda a sua vida?

Trespasse

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Por que conhecer História muda a sua vida?

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Trespasse
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Uma defesa do estudo da História como forma de escapar da prisão do presente, compreender melhor a própria circunstância e ampliar aquilo que somos capazes de imaginar como possível. W.H. Auden, "Espanha, 1937" (tradução José Paulo Paes) Ontem todo o passado. A linguagem do tamanho Expandindo-se à China por rotas de comércio; a difusão Do ábaco e do cromlech; Ontem o cálculo da sombra em regiões solares. Ontem a segurança avaliada pelas cartas, O vaticínio da água; ontem a invenção Da roda de carro e do relógio, a doma De cavalos; ontem a azáfama do mundo navegante. Ontem a abolição de fadas e gigantes; A fortaleza, a águia imóvel a vigiar o vale, A capela construída na floresta. Ontem a talha de anjos e gárgulas medonhas; O julgamento de heréticos entre colunas pétreas; Ontem disputas teológicas em tascas E a cura milagrosa junto à fonte; O Sabá das Bruxas ontem. Hoje porém a luta. Ontem a instalação de dínamos, turbinas; A construção de ferrovias no deserto colonial; Ontem a sempre clássica palestra Sobre a origem da Humanidade. Hoje porém a luta. Ontem a crença no valor absoluto da Hélade; A cortina baixando sobre a morte do herói; Ontem a prece no findar do dia, E a adoração dos doidos. Hoje porém a luta. E quando o poeta, alarmado, cicia entre espinhos Ou onde canta a cascata solta, densa, ou aprumado Sobre o penhasco ao pé da torre pensa: “Oh visão minha, oh dai-me a estrela dos marujos.” E o investigador perscruta com seus instrumentos As imensas províncias, os bacilos varonis Ou o enorme Júpiter consumado: “Mas e as vidas de meus amigos. Eu pergunto que pergunto.” E os pobres em suas casas sem lume abandonando as folhas Do vespertino: “Nosso dia é o nosso dono. Oh vem mostrar-nos História o operador, o Organizador, o refrescante rio do Tempo.” E as nações concertam cada grito, conjurando a vida Que afeiçoa o ventre individual e ordena O terror noturno privativo: “Não viste a cidade-Estado das esponjas erguer Outrora o vasto império militar do esqualo E do tigre, fundar o cantão do tordo, destemido? Intervém. Oh desce como pomba ou Como furioso papá ou engenheiro benigno: mas desce.” E a vida, se dá qualquer resposta, esta vem do coração E dos olhos e pulmões, das lojas e das praças da cidade: “Não, oh não sou eu o Propulsor, Não hoje, tampouco para ti. Para ti sou o “Capacho, o parceiro de bar, o fácil de iludir; Eu sou o que fizeres; sou teu voto de ser Bom, a tua história hilariante; Sou tua voz de negócios; sou teu casamento. “Qual a tua proposta? A Cidade Justa? Sim. Concordo. Ou é um pacto de suicídio, a morte Romântica? Muito bem, aceito, pois Sou tua escolha, tua decisão: sim, sou Espanha.” Muitos ouviram em penínsulas remotas, Planícies sonolentas, ilhas de pescadores aberrantes, No coração corrupto da cidade; Ouviram e migraram, qual gaivotas ou sementes de uma flor. Carrapichos, grudaram-se em longos trens expressos A guinar por terras de injustiça, pela noite, pelo alpino túnel; Flutuaram por sobre oceanos; Atravessaram passos; vieram ofertar as suas vidas Naquele árido quadrado, fragmento decepado à África Escaldante e toscamente unido à inventiva Europa, Naquele chapadão de rios cortado, As formas ameaçadoras de nossa febre são precisas, vivas. Amanhã o futuro talvez: a pesquisa da fadiga Dos movimentos de empacotadores: a exploração gradual de Todas as oitavas da radiação; Amanhã a consciência alargada pela respiração e por dietas. Amanhã o amor romântico descoberto uma outra vez; A fotogravação de corvos; o divertimento todo à Sombra magistral da Liberdade; Amanhã a hora do diretor de préstito e do músico. Amanhã, para os jovens, poetas explodindo feito bombas, O passeio à beira do lago, o inverno de perfeita comunhão: Amanhã a corrida de ciclistas Pelos subúrbios nas tardes de verão; hoje porém a luta. Hoje o inevitável aumento das chances de morrer A cônscia aceitação da culpa no fato do assassínio; Hoje o dispêndio de poderes No enfadonho, efêmero panfleto e no comício chato. Hoje as consolações provisórias; o cigarro partilhado; As caras no celeiro à luz de vela e o concerto improvisado, Os gracejos masculinos; hoje o Abraço canhestro, insatisfeito, antes da dor. As estrelas estão mortas; os animais não veem; Estamos sós com o dia que nos coube, o tempo é curto e a História em vias de derrota Pode dizer um ai mas não nos pode absolver nem ajudar. https://almaacreana.blogspot.com/2016...