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"O RAPAZ DA ULTIMA FILA"

Carlos pinto

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"O RAPAZ DA ULTIMA FILA"

93 просмотра · 3 мес. назад
Carlos pinto
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O RAPAZ DA ULTIMA FILA Escrevi esta letra com o coração. Ela nasceu de um texto que escrevi há algum tempo, com o mesmo título, "O Rapaz da Última Fila", e que fará parte do livro de memórias que estou a escrever. É a história de um reencontro imaginário entre o homem que hoje sou e o rapaz que fui há cinquenta anos. Um miúdo extremamente pobre, muitas vezes mal vestido, mas com uma riqueza que ninguém lhe podia tirar: os sonhos. Durante muitos anos pensei que o tinha deixado para trás. Mas um dia voltei à minha escola… e encontrei-o sentado na última fila. À minha espera. Esta canção é a conversa que nunca tivemos. Se, enquanto a ouvirem, também se lembrarem da criança que um dia foram, então ela cumpriu o seu propósito. Ouçam-na com o coração. Porque foi exatamente aí que ela nasceu. -------------------------------------------------------------------------- O Rapaz da Última Fila (LETRA) Voltei à escola onde a vida começou Onde a minha mão desenhou a primeira letra E entre tantos rostos que o tempo levou Encontrei um rapaz sentado à minha espera Estava ao fundo, perto da porta de sair Como quem conhece os segredos da despedida Olhou para mim sem uma palavra dizer E eu vi nele a minha própria vida Era eu… o rapaz da última fila Com os bolsos vazios e o coração cheio Era eu… que sonhava mais alto que a aldeia E acreditava que o mundo era meu Era eu… com os medos escondidos E os olhos perdidos no céu a imaginar Que um dia a vida me daria a mão E me ensinaria a regressar Sonhava com aviões a cortar o horizonte Com canções que falavam de amor e liberdade Com estradas sem fim e cidades distantes Muito maiores do que a minha idade Tive amigos que o tempo não apagou Nomes guardados dentro do coração E ainda hoje os ouço rir ao longe Como se brincassem no mesmo verão Era eu… o rapaz da última fila Com os bolsos vazios e o coração cheio Era eu… que sonhava mais alto que a aldeia E acreditava que o mundo era meu Era eu… com os medos escondidos E os olhos perdidos no céu a imaginar Que um dia a vida me daria a mão E me ensinaria a regressar A vida passou depressa demais Trouxe alegrias e trouxe feridas Mas há memórias que não envelhecem Porque continuam acesas na vida E quando voltei àquela escola Percebi aquilo que nunca vi Era eu… o rapaz da última fila Que nunca saiu daquele lugar Ficou sentado dentro da memória À espera de me voltar a encontrar Era eu… o rapaz dos sonhos antigos Que o tempo não conseguiu mudar E quando o abracei dentro de mim Percebi… Que ele ficou sempre à minha espera. À minha espera.