"O RAPAZ DA ULTIMA FILA"
Carlos pinto
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"O RAPAZ DA ULTIMA FILA"
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Carlos pinto
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O RAPAZ DA ULTIMA FILA Escrevi esta letra com o coração.
Ela nasceu de um texto que escrevi há algum tempo, com o mesmo título, "O Rapaz da Última Fila", e que fará parte do livro de memórias que estou a escrever.
É a história de um reencontro imaginário entre o homem que hoje sou e o rapaz que fui há cinquenta anos.
Um miúdo extremamente pobre, muitas vezes mal vestido, mas com uma riqueza que ninguém lhe podia tirar: os sonhos.
Durante muitos anos pensei que o tinha deixado para trás.
Mas um dia voltei à minha escola… e encontrei-o sentado na última fila.
À minha espera.
Esta canção é a conversa que nunca tivemos.
Se, enquanto a ouvirem, também se lembrarem da criança que um dia foram, então ela cumpriu o seu propósito.
Ouçam-na com o coração.
Porque foi exatamente aí que ela nasceu.
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O Rapaz da Última Fila (LETRA)
Voltei à escola onde a vida começou
Onde a minha mão desenhou a primeira letra
E entre tantos rostos que o tempo levou
Encontrei um rapaz sentado à minha espera
Estava ao fundo, perto da porta de sair
Como quem conhece os segredos da despedida
Olhou para mim sem uma palavra dizer
E eu vi nele a minha própria vida
Era eu… o rapaz da última fila
Com os bolsos vazios e o coração cheio
Era eu… que sonhava mais alto que a aldeia
E acreditava que o mundo era meu
Era eu… com os medos escondidos
E os olhos perdidos no céu a imaginar
Que um dia a vida me daria a mão
E me ensinaria a regressar
Sonhava com aviões a cortar o horizonte
Com canções que falavam de amor e liberdade
Com estradas sem fim e cidades distantes
Muito maiores do que a minha idade
Tive amigos que o tempo não apagou
Nomes guardados dentro do coração
E ainda hoje os ouço rir ao longe
Como se brincassem no mesmo verão
Era eu… o rapaz da última fila
Com os bolsos vazios e o coração cheio
Era eu… que sonhava mais alto que a aldeia
E acreditava que o mundo era meu
Era eu… com os medos escondidos
E os olhos perdidos no céu a imaginar
Que um dia a vida me daria a mão
E me ensinaria a regressar
A vida passou depressa demais
Trouxe alegrias e trouxe feridas
Mas há memórias que não envelhecem
Porque continuam acesas na vida
E quando voltei àquela escola
Percebi aquilo que nunca vi
Era eu… o rapaz da última fila
Que nunca saiu daquele lugar
Ficou sentado dentro da memória
À espera de me voltar a encontrar
Era eu… o rapaz dos sonhos antigos
Que o tempo não conseguiu mudar
E quando o abracei dentro de mim
Percebi…
Que ele ficou sempre à minha espera.
À minha espera.