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MEU MARIDO PREGAVA NO PÚLPITO DE MANHÃ E PARTICIPAVA DE MISSA NEGRA À NOITE

Relatos de Fé e Libertação

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MEU MARIDO PREGAVA NO PÚLPITO DE MANHÃ E PARTICIPAVA DE MISSA NEGRA À NOITE

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Relatos de Fé e Libertação
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Durante quase cinco anos eu sentei no primeiro banco da igreja e ouvi o meu marido pregar para mais de trezentas pessoas. Em Nova Lima, todo mundo me conhecia como a esposa do pastor da igreja cheia. Todo domingo ele pregava de manhã e, às onze horas da noite, saía de casa dizendo que ia orar no monte. Eu achava bonito. Eu achava que tinha um homem consagrado dentro de casa. Até a segunda-feira em que eu fui lavar a calça que ele tinha usado naquela madrugada. Eu sou filha de mineiro e fui mulher de mineiro, e o que estava na barra daquela calça não era terra de monte nenhum. Foi ali que eu comecei a prestar atenção. No jeito como ele terminava a oração. Na tosse que vinha toda vez que ele tentava dizer um nome. E numa lata de biscoito escondida em cima do guarda-roupa. Nesta história eu conto o que eu ouvi na boca de uma mina abandonada, o que estava escrito dentro daquela lata e o preço que o meu marido aceitou pagar para a nossa igreja não fechar. Conto também a parte que mais me custa: o que eu vi durante anos e preferi não ver. Fica até o final, porque o que aconteceu no púlpito, no último domingo, na frente da igreja inteira, eu nunca vi em lugar nenhum. E se a sua igreja está cheia, talvez você escute essa história de um jeito diferente.