Georg Lukács sobre o partido comunista
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Lukács afirma que a organização sempre foi tratada como uma questão apenas “técnica” e, por isso, relegada a segundo plano nas discussões teóricas. Seu texto "Questões metodológicas sobre a organização", em "História e consciência de classe", pretende elevar, ao contrário, a forma de organização de tipo leninista ao conceito filosófico, espiritual, "geistige".
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Uma das definições que Lukács oferece sobre a organização é que ela é a forma de mediação entre teoria e práxis. O modelo leninista de organização não era o único em disputa em 1922, ano no qual Lukács publica este artigo, e por isso ele passa em revista alguns pontos das teorias mencheviques e também de Rosa Luxemburo sobre a questão.
As formas mencheviques de organização, por exemplo, são expressão da crise ideológica do proletariado, da mesma forma que o partido comunista é a forma organizatória do primeiro passo consciente para o reino da liberdade. Quando Lukács fala de liberdade, no entanto, não se trata da liberdade do indivíduo. A liberdade do indivíduo no capitalismo é a liberdade do indivíduo reificado e reificante através da posse, isolado; a liberdade contra os outros, uma liberdade do egoísmo. A verdadeira liberdade do comunista, por sua vez, é a submissão voluntária àquela vontade comum, geral, determinada a trazer à vida a verdadeira liberdade, e esta vontade comum consciente é o partido comunista.
Lukács também define o partido como o único portador de consciência de classe revolucionária, e sua atividade como a mediação (Vermittlung) entre o homem e a história.
Importante também seria a separação entre classe a partido. O diferente grau de clareza e profundidade da consciência de classe nos diferentes indivíduos, grupos e camadas do proletariado seria um dos motivos para efetuar esta separação. Isso não significa, no entanto, que o partido lutará no lugar da classe, como seu “representante”, a exemplo dos blanquistas. O objetivo é fomentar e acelerar o processo de desenvolvimento da consciência de classe, para que o proletariado possa ver sua própria consciência como forma histórica.
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