Aula 1: O PERIDO PRÉ REFORMA PROTESTANTE | EAD BURN
Igreja Burn
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1. UMA IGREJA EM CRISE
É importante não cair em uma simplificação histórica e dizer que “toda a Igreja medieval era corrupta”. Não era!
Cargos eclesiásticos eram algumas vezes tratados como mera politicagem, havia denúncias de simonia (compra e venda de cargos e posições dentro da igreja), acúmulo de benefícios eclesiásticos, riqueza entre membros do alto clero e uma aproximação muito forte entre poder religioso e poder político.
Além disso, entre 1378 e 1417, ocorreu o chamado Grande Cisma do Ocidente.
Durante esse período, a cristandade ocidental chegou a ter três homens reivindicando simultaneamente serem o verdadeiro papa.
Isso provocou uma profunda crise de autoridade na Igreja medieval. Historiadores da Cambridge University descrevem a cisma como uma das mais graves crises institucionais enfrentadas pelo papado medieval.
O próprio Concílio de Constança, convocado no início do século XV, reconheceu que havia questões que precisavam ser reformadas na Igreja.
Então perceba:
A ideia de que a Igreja precisava de reforma já existia antes da Reforma Protestante.
E é nesse contexto que surge um nome extremamente importante.
2. JOHN WYCLIFFE — UMA VOZ ANTES DO TEMPO
No século XIV, na Inglaterra, surge John Wycliffe, teólogo e professor ligado à Universidade de Oxford.
Wycliffe começou a questionar aspectos da autoridade da Igreja e deu uma ênfase extraordinária à autoridade das Escrituras.
Estudos acadêmicos sobre Wycliffe destacam justamente a centralidade que ele atribuía à Bíblia e sua convicção de que as Escrituras deveriam estar acessíveis aos cristãos.
Wycliffe foi uma das figuras mais importantes no que diz respeito à primeira tradução completa da Bíblia para o inglês medieval a partir da Vulgata latina.
Além disso ele combateu de forma veemente as indulgencias, que era um oferecimento de remissão dos pecados por parte da igreja através de uma contribuição financeira vinda dos pecadores.
O historiador; Roberts Liardon em seu livro: “reformadores estrondosos” ... registra um texto escrito a punho por Wycliffe combatendo as indulgências:
“Não há maior heresia contra um homem do que acreditar que ele é absolvido do pecado por dar dinheiro ou porque um sacerdote impõe a mão em sua cabeça e diz: "Eu o absolvo". O homem deve estar arrependido em seu coração, de outra forma não há como Deus o absolver.
Em outras palavras ele estava dizendo; dinheiro não leva ninguém para o céu, boas obras não levam ninguém para céu, o homem só é salvo se reconhecer que é pecador e que Cristo é o seu salvador (EF 2.8)
Wycliffe morreu em 1384. Mas depois de sua morte nós temos um dos acontecimentos mais bizarros da história da igreja.
3. QUEIMARAM WYCLIFFE... DEPOIS DE MORTO
Décadas depois de sua morte, o Concílio de Constança, em 1415, condenou Wycliffe como herege por causa de seus posicionamentos teológicos contra a igreja.
E a punição estabelecida naquele tempo para um herege era morrer queimado, mas como queimar alguém que já está morto?
Eles desenterram os ossos de Wycliffe e queimam seus ossos como um aviso;
“é assim que todo herege que se levanta contra a igreja deve ser tratado.”
Mas o que eles não contavam é que as cinzas dos ossos de Wycliffe serviria de combustível para outro pré-reformador.
Enquanto tentavam apagar a memória de Wycliffe na Inglaterra, sua teologia já havia atravessado fronteiras. Elas chegaram à Boêmia, região da atual República Tcheca. E encontraram outro homem.
4. JOHN HUSS — A VOZ DA BOÊMIA
Seu nome era John Huss.
Huss era sacerdote, pregador e professor ligado à Universidade de Praga.
Ele conheceu os escritos de Wycliffe e foi influenciado por algumas de suas ideias.
Huss começou a denunciar abusos e problemas morais do clero, combater a simonia e insistir na necessidade de uma Igreja submetida à verdade de Deus.
Sua pregação ganhou enorme repercussão na Boêmia.
Estudos históricos o reconhecem como uma das principais figuras de reforma antes do século XVI.
Com o crescimento da controvérsia, Huss foi chamado ao Concílio de Constança.
Ele viajou contando com um salvo-conduto imperial (proteção), mas acabou preso, julgado e condenado por heresia.
Dia 6 de julho de 1415, John Huss foi queimado vivo em uma fogueira.
Poucos dias antes de morrer, Huss escreveu uma declaração dizendo que não renunciaria a veracidade de seus ensinamentos apenas para escapar de sua condenação. E assim John foi brutalmente assassinado.