A Palavra (Ordet, 1955): o milagre de Carl Theodor Dreyer | Sessão extra | Cinematografia
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Dreyer filma o milagre como ninguém filmou antes ou depois: sem glória, sem anjos cantando, sem luz dourada descendo do céu. E, ppr isso, A Palavra é um dos filmes mais impactantes da história do cinema.
O filme de 1955 se passa numa fazenda dinamarquesa onde dois tipos de protestantismo convivem em tensão, onde um dos filhos enlouqueceu e acredita ser Jesus, onde uma mulher morre no parto e onde a fé é um personagem que o filme leva absolutamente a sério.
Dreyer filma, em partes, dentro daquilo que Schrader chamou de estilo transcendental: encenação teatral, câmera quase imóvel, personagens que parecem falar para o espectador e não entre si. É desconfortável. É paralisante. E é radicalmente diferente de tudo que você já viu.
Neste Sessão Extra, Flávia Arielo e Jason Baroni analisam A Palavra — o segundo Dreyer do podcast — e chegam à cena final completamente sem defesa.
🎥 Neste episódio, a conversa passa por:
Carl Theodor Dreyer como o maior cineasta dinamarquês.
O estilo transcendental no cinema, de Paul Schrader e sua relação com Dreyer.
A encenação teatral: personagens posicionados como se houvesse uma plateia — e há, somos nós.
Ioannes: Jesus ou João? Duas interpretações possíveis.
Os dois protestantismos em conflito e os três milagres que estruturam a narrativa.
A cena da ressurreição e o beijo que ninguém esperava.
O corpo como parte indissociável da fé — e por que o beijo erótico é a declaração teológica mais precisa do filme.
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