Quem pratica a palavra permanece de pé | Pastor Paulo Seabra
Pastor Paulo Seabra
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Quem pratica a palavra permanece de pé | Pastor Paulo Seabra
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Existem dois fundamentos que respondem pela estabilidade ou pela instabilidade da vida. Jesus encerra o Sermão da Montanha mostrando que aquele que ouve suas palavras e as pratica é como o homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Os ventos vão soprar, as tempestades vão chegar e as adversidades vão testar a resistência da construção, mas quem está firmado no Senhor permanece de pé. A Palavra de Deus não é apenas um conjunto de informações religiosas: ela revela o plano de Deus para a nossa vida e nos chama a receber, assimilar e praticar aquilo que Ele diz. “Quem ouve a minha palavra e pratica é prudente”, porque encontrou um fundamento seguro para organizar suas escolhas, seus relacionamentos, sua família, seu trabalho e toda a sua existência.
O evangelho, portanto, não é apenas uma teoria ou uma doutrina; “é o poder de Deus para o resgate daquele que crê”. Ele nos conduz da morte para a vida, da ignorância para a compreensão, dos erros para a verdade e nos coloca em relacionamento com aquele que declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Estar em Cristo significa muito mais do que conhecer alguns versículos ou possuir uma religião: é apropriar-se das palavras de Jesus e experimentar a presença de Deus na experiência pessoal. Cristo é a videira verdadeira e nós somos os ramos; ligados a Ele, recebemos vida para produzir o fruto do Espírito. Assim, amor, bondade, paciência, perseverança e outras marcas da vida de Deus começam a nascer de dentro para fora. “Quem está em Cristo, nova criatura é”; as coisas velhas passam e uma nova maneira de pensar e viver começa a ser construída.
Desde o princípio, a Palavra de Deus é uma palavra criadora. Deus disse “haja luz”, e houve luz; pela sua Palavra, ordenou a criação e entregou ao homem a responsabilidade de viver segundo seu propósito. O problema começa quando o ser humano abandona a voz de Deus para ouvir outras vozes. No Éden, a desobediência produziu medo, esconderijo, mentira e transferência de culpa. Adão tentou responsabilizar a mulher, a serpente e as circunstâncias, mas o caminho de Cristo é diferente. A identidade daquele que crê não está mais em Adão, mas em Jesus: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Até mesmo Davi, sendo pecador, pôde ser chamado homem segundo o coração de Deus porque, diante do pecado, não procurou justificativas; reconheceu sua culpa, buscou reconciliação e voltou-se para o Senhor.
Construir sobre a rocha não significa viver sem tempestades, mas atravessá-las sabendo em quem estamos fundamentados. Elias viu o riacho de Querite secar, mas Deus não havia desaparecido; faltou o riacho, faltou o corvo, faltou aquela provisão momentânea, mas não faltou o Senhor. Nossa estabilidade não pode depender das coisas materiais ou das circunstâncias, mas daquele que permanece o mesmo e continua conduzindo cada etapa da jornada. Por isso, é necessário selecionar cuidadosamente “quem é que faz a sua cabeça, quem é que faz o seu juízo”, permitindo que o Espírito Santo conduza nossas decisões. Cristo levou sobre si nossas dores, abriu o caminho da reconciliação e continua sendo nosso fundamento. Cabe a nós apresentar a vida ao Senhor e não nos conformar com este mundo, mas sermos transformados pela renovação da mente, para experimentar a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável.
Pastor Paulo Seabra é um pastor experiente tanto na gestão de igrejas como em púlpito e palavra. Participou ativamente da história dos batista no Brasil e no Ceará. Pastoreou muitas igrejas durante sua vida, sempre com uma visão estrutural, conceitual e multiplicadora.