E se você fosse a última pessoa na Terra?
Palitos & Paradoxos
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E se você fosse a última pessoa na Terra?
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Você acorda numa segunda-feira, e o despertador do vizinho está tocando há duas horas. Ninguém desliga. O café ainda está quente na padaria, os carros estão parados no meio da avenida, e ninguém atende o telefone. No primeiro dia, o mundo inteiro é seu. Depois, as luzes se apagam, a Via Láctea aparece, os bichos voltam para a cidade... e a solidão começa a pesar. Até que uma mensagem das 3h12 da manhã, que você ignorou um ano atrás, recebe dois risquinhos.
Capítulos:
0:00 O despertador do vizinho
1:19 De oito bilhões para um
2:09 O primeiro dia
3:00 O apagão
4:23 O planeta sem nós
5:56 O preço
7:04 A última luz humana
8:18 Dois risquinhos
9:19 E você?
Se você fosse a última pessoa na Terra, qual seria o primeiro lugar que ia visitar? Conta aqui nos comentários!
Notas:
A ONU estimou a população mundial em cerca de 8,2 bilhões de pessoas em 2024 (World Population Prospects 2024). "Caberia dentro da Grande São Paulo" é uma conta nossa: com meio metro quadrado por pessoa, 8,2 bilhões de pessoas ocupam cerca de 4.100 km², e a Região Metropolitana de São Paulo tem cerca de 7.900 km².
Michael Collins ficou em órbita da Lua durante a missão Apollo 11 (1969), enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin desciam. A cada volta, passava cerca de 48 minutos atrás da Lua, sem contato por rádio. No livro "Carrying the Fire" (1974), ele escreveu: "I am alone now, truly alone, and absolutely isolated from any known life" ("Estou sozinho agora, de verdade sozinho, e absolutamente isolado de qualquer vida conhecida").
Segundo o jornalista Alan Weisman, autor de "O Mundo Sem Nós" (2007), a energia elétrica seria uma das primeiras coisas a acabar, porque as usinas dependem de gente e se desligam sozinhas por segurança. O prazo de "três noites" no vídeo é licença poética.
O estudo de 2016 é o "Novo Atlas Mundial do Brilho Artificial do Céu Noturno" (Falchi e colegas, revista Science Advances): mais de um terço da humanidade não consegue ver a Via Láctea de onde mora, incluindo quase 80% dos norte-americanos.
Em 2020, durante as quarentenas da pandemia, o ruído sísmico causado por atividade humana caiu até 50% (Lecocq e colegas, revista Science).
No mesmo ano, pardais-de-coroa-branca de São Francisco (Zonotrichia leucophrys, do mesmo gênero do nosso tico-tico) passaram a cantar mais baixo com o silêncio das ruas (Derryberry e colegas, revista Science).
As bombas do metrô de Nova York retiram cerca de 13 milhões de galões de água por dia (cerca de 49 milhões de litros). Segundo Weisman, sem elas haveria inundações em cerca de 48 horas.
Gasolina comum começa a se degradar em cerca de 3 a 6 meses.
Na zona de exclusão de Chernobyl, abandonada desde o acidente de 1986, a abundância de lobos foi estimada em mais de sete vezes a de reservas naturais da região (Deryabina e colegas, revista Current Biology, 2015).
Michel Siffre passou cerca de dois meses no abismo de Scarasson, nos Alpes franceses, a cerca de 130 metros de profundidade, sem relógio. Entrou em 16 de julho de 1962 e saiu em 14 de setembro achando que era 20 de agosto.
Em 2020, pesquisadores do MIT mostraram que, depois de 10 horas de isolamento social, o cérebro reage à falta de gente de um jeito parecido com a reação à comida depois de 10 horas de jejum (Tomova e colegas, revista Nature Neuroscience).
A Estação Espacial Internacional está ocupada sem interrupção desde 2 de novembro de 2000. Dá uma volta na Terra a cada cerca de 90 minutos, ou 16 voltas por dia, e perde cerca de 100 metros de altitude por dia. Sem os reimpulsos periódicos, voltaria para a atmosfera em um ou dois anos.
O desaparecimento das pessoas, o Domingo, a estação vazia, a mensagem das 3h12, a antena religada e o "digitando..." são ficção.