Ainda Deu Tempo – Moda de Viola Caipira Sobre Pai e Filho | Sertanejo Raiz
Fábrica de Modão
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Ainda Deu Tempo – Moda de Viola Caipira Sobre Pai e Filho | Sertanejo Raiz
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🪕 “Ainda Deu Tempo” é uma moda de viola caipira sobre um filho que quase respondeu “no próximo domingo eu vou” mais uma vez... mas decidiu voltar antes que a saudade chegasse primeiro.
Uma música sertaneja raiz sobre pai e filho, visitas adiadas, domingos que passam e a paz de abraçar quem se ama enquanto ainda há tempo. 🌾
Se você gosta de sertanejo antigo, modão de viola, viola caipira e histórias simples que apertam o peito, essa moda foi feita pra você.
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*qual foi a última vez que você decidiu não deixar pra depois?*
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🎵 CAPÍTULOS
00:00 - Abertura
00:16 - Ainda Deu Tempo
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📜 LETRA – Ainda Deu Tempo
Minha mãe ligou na terça
pra falar das coisas de lá.
Disse que a chuva tinha vindo
e o pé de manga ia carregar.
No fundo, eu ouvi meu velho
perguntando baixo por mim,
se eu aparecia no domingo,
se eu tinha tempo, enfim.
Eu já ia dar a resposta
que eu dei tantas vezes também:
“Esse domingo tá corrido,
no outro eu apareço, mãe.”
Mas fiquei olhando a agenda
com aquela frase na mão
e contei quantos domingos
eu transformei em “depois”.
Então, fechei o computador,
deixei o resto esperar.
Tem compromisso que volta
e tem abraço que pode não esperar.
Ainda deu tempo de
abrir aquela porteira
e ver meu pai na varanda,
no mesmo lugar.
Ainda deu tempo de
tomar café sem pressa
e ouvir suas histórias
sem olhar o celular.
Dessa vez, eu fui
primeiro que a saudade.
Não esperei a vida vir
me ensinar.
Ainda deu tempo de dizer:
“Tô aqui, meu pai”,
enquanto ele ainda podia
me abraçar.
Eu cheguei sem avisar,
já no começo da manhã.
Minha mãe abriu a porta
com aquele sorriso de mãe.
Meu pai tava na varanda
descascando uma laranja.
Levantou devagarinho
e ficou me olhando sem falar.
Depois riu meio sem jeito,
como quem nem quis demonstrar:
“Ué, você não vinha no mês que vem?”
Eu só disse:
“Hoje deu pra chegar.”
A gente falou de pouca coisa,
da cerca, do tempo e do chão.
E eu percebi que certas conversas
não precisam ter conclusão.
Ainda deu tempo de abrir
aquela porteira
e ver meu pai na varanda,
no mesmo lugar.
Ainda deu tempo de tomar café
sem pressa
e ouvir suas histórias
sem olhar o celular.
Dessa vez, eu fui primeiro
que a saudade.
Não esperei a vida vir
me ensinar.
Ainda deu tempo de dizer:
“Tô aqui, meu pai”,
enquanto ele ainda podia
me abraçar.
Quando o sol caiu no pasto,
eu tive que pegar a estrada.
Minha mãe ficou na porta.
Meu pai chegou perto da entrada.
Eu olhei pelo retrovisor
e ele ainda estava no portão.
Pela primeira vez, fui embora
sem dever outra visita ao coração.
Eu não precisei perder
pra entender o que eu tinha,
nem ouvir de uma casa vazia
o que eu podia ouvir naquele dia.
Ainda deu tempo de
abrir aquela porteira
e encontrar meu pai
esperando por mim.
Ainda deu tempo de
sentar naquela varanda
e deixar o mundo
correr longe dali.
Dessa vez, eu fui
primeiro que a saudade.
Não deixei mais um domingo
chegar ao fim.
Ainda deu tempo de
abraçar quem eu amava
e voltar pra casa
em paz dentro de mim.
Ainda deu tempo.
Ainda deu tempo.
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