Space Legends: À Deriva
Jogando Bem Produções
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Space Legends: À Deriva
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No silêncio do espaço, uma exploradora registra seus últimos momentos após um acidente com um asteroide. Sozinha, isolada e sem contato, ela tenta manter a lucidez enquanto o frio e o vazio consomem tudo ao redor. Ambientada no universo de Space Legends, "À Deriva" acompanha o colapso lento de uma mente humana diante da morte iminente.
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O ano é 2290, sem sinal,
à deriva, sem contato, nenhum retorno no canal.
Nada responde, só ruído no metal,
se existir um deus, que ele entenda o meu sinal.
Asteroide não mapeado riscou minha direção.
Quando acordei, silêncio, eu e a constelação.
Tripulação em retratos, nomes presos no visor,
sou a única que ficou, abraçada ao corredor.
Frequência após frequência, só ruído no ar,
até o eco cansou de tentar voltar.
Se alguém me ouvir, responda devagar,
meu pulso é leitura fraca no radar.
Entre o vazio e o fim, a luz vai cessar,
e eu viro memória perdida no ar.
Checklist na memória, protocolo em repetição,
contenho vazamentos, selo a pressurização.
Raciono água e calor, desligo o que for vão,
cada estrela é lembrança de uma tripulação.
Se a rota é cemitério, que eu cruze sem rancor,
mas se a chance for um ponto, eu miro com rigor.
Faço o corpo relaxar, diminuo o meu calor,
porque a mente, quando corre, só estende o corredor.
As estrelas me observam, distantes, sem moral,
falsas testemunhas do meu final.
Meu nome se repete na tela do terminal,
promessa de retorno... promessa sem sinal.
Se alguém me ouvir, responda devagar,
meu pulso é leitura fraca no radar.
Entre o vazio e o fim, a luz vai cessar,
e eu viro memória perdida no ar.
Recordo os olhos da equipe, firmes no final,
ninguém sabia que o sonho era funeral.
As vozes da minha equipe ainda tocam no canal,
gravadas entre ruídos: um adeus digital.
Eu nomeio cada estrela pra enganar a solidão,
faço mapas com saudade, bordo o céu na minha mão.
A esperança, aqui, é frágil, mas cabe na canção:
ela acende e apaga, como um farol em extinção.
A nave reclama baixo, o frio rasga a pele,
coragem é silêncio quando o corpo cede.
Se alguém me ouvir, responda devagar,
meu pulso é leitura fraca no radar.
Entre o vazio e o fim, a luz vai cessar,
e eu viro memória perdida no ar.
Se este arquivo sobreviver, diz que eu tentei,
que o cosmos me apagou, e eu aceitei.
Fim do registro. Energia abaixo do limiar.
Tripulante 77... encerrando o respirar.
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