Índice de reeleição na Câmara é o maior desde a redemocratização - 21/10/26 #paineleletrônico
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Nesta eleição, o número de deputados federais reeleitos chegou a 311. De acordo com dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados, o percentual de reeleição alcançou 60,62% e foi o maior índice de renovação registrado desde a redemocratização. O índice de renovação foi o menor no mesmo período: 33,72%. O diretor de documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Neuriberg Dias, lembra que, dos 205 novos deputados, 29 são ex-parlamentares ou já disputaram outros cargos públicos. Por isso, ele considera que a taxa de renovação da Câmara é menor ainda, de 35%. “Ou seja, um Congresso que mudou pouco”, diz. Neuriberg Dias diz que o PL, partido que elegeu mais representantes, 121, “tirou nomes tradicionais do grupo da direita ou do centrão e houve uma mudança mais ideológica, com mais representantes aí numa nova direita”. Segundo ele, o crescimento da participação de partidos mais conservadores irá influenciar a pauta para os próximos anos, com temas como segurança pública, valores e também o tema família, que são muito debatidos, principalmente pela direita mais conservadora”. Neuriberg Dias destaca também o papel dos puxadores de votos. Em relação à última eleição, o número de puxadores subiu de 29 para 35. Em São Paulo e Minas, ele cita Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, que elegeram outros deputados, como dois exemplos. No perfil sócio-econômico da futura Câmara, de acordo com Neuriberg Dias, a grande maioria é de empresários: 159. Há um segundo escalão de representação de profissionais liberais, como economistas, advogados e médicos. E um terceiro de servidores públicos, incluindo delegados, policiais militares e professores. Neuriberg Dias lembra que o número de mulheres aumentou de 99 para 109. “Ainda é preponderante a maioria de representação de homens na Câmara: 72% são brancos, 82% têm nível superior”, destaca. Neuriberg Dias destaca que o número de deputados transgêneros foi de 3%, aumentando a bancada de 3 para 10 deputados.
O diretor do Diap acredita que a próxima legislatura deve discutir pautas como: segurança pública, questões tributárias e fiscais, além de questões de costumes e ideológicas.
Neuriberg Dias afirma que a atuação dos parlamentares vai depender do presidente eleito neste domingo. “Com a reeleição do presidente Lula, haverá um comportamento mais moderado dos parlamentares. Sendo eleito Flávio Bolsonaro, aí é uma mudança de agenda, com temas vinculados a costumes, segurança pública, gênero, meio ambiente”. “Então, o Congresso está à espera desse novo presidente”, resume, lembrando que o centrão será “o fiel da balança”.
E, nas eleições deste ano, as redes sociais consolidaram-se definitivamente, não apenas como ferramenta de apoio, mas como o coração das campanhas políticas e a principal arena de debate político e de formação de opinião do eleitorado no Brasil. Mas mesmo diante de todo esse protagonismo, as duas campanhas, a de Lula e a de Flávio Bolsonaro, acionaram a justiça eleitoral contra a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp. Para Débora Salles, coordenadora-geral do Labnet, as redes sociais são hoje o principal espaço de formação da opinião pública. O laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro faz o monitoramento constante das plataformas e dos sites. “É nessas plataformas que as pessoas se informam, que elas conversam e que elas são impactadas pelas campanhas políticas. As plataformas hoje são essa arena central de disputa pela opinião pública”, diz. Por isso, segundo ela, é importante garantir que este espaço seja isonômico. Ou seja: “que ele não está dando benefícios ou favorecendo nenhuma campanha”. Segundo Débora Salles, a legislação eleitoral cria várias obrigações para os meios de comunicação. “Mas a gente não tem garantias de que há um tratamento isonômico, porque são espaços muito opacos. Hoje, a gente não tem meios de fiscalizar, de monitorar esse tipo de atividade”, afirma. “Então, a gente não sabe efetivamente o que está acontecendo na formação da opinião da sociedade brasileira”.
Apresentação: Joubert Carvalho
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