A VIDA ESTÁ ASSIM, MEU KOTA
PÓ E PÉTALA
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A VIDA ESTÁ ASSIM, MEU KOTA
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PÓ E PÉTALA
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🎶 Título: “A Vida Está Assim, Meu Kota”
Género: Semba tradicional angolano • Ritmo dançante • Letra popular, satírica e emotiva
[Introdução — falado, com voz de kota]
Eh, Angola!
Meu kota, como é que estamos?
A vida não está fácil, mas também não vamos chorar todos os dias!
Põe só o funge no fogo, prepara a kissangua…
Que amanhã tem luta outra vez!
[Verso 1]
Cinco da manhã, já toca o despertador,
A mãe levanta cedo, pede a Deus Nosso Senhor.
O pai saiu de casa sem saber quando vai voltar,
E o filho pergunta: “Mamã, hoje vamos almoçar?”
Na paragem é confusão, todo mundo quer entrar,
O cobrador grita: “Vai fechar, não vamos esperar!”
Um empurra, outro reclama, outro perdeu o chinelo,
E o candongueiro vai voando, parece que tem duelo!
[Refrão — bem dançante, com coro]
Ai, ai, ai, Angola minha!
A vida está difícil, mas ninguém caminha sozinho.
Ai, ai, ai, meu povo querido,
Com pouco no bolso, mas coração atrevido!
Dança, meu kota, deixa a tristeza passar,
Amanhã é outro dia, vamos continuar!
Eh, Angola, Angola, minha terra de amor,
Mesmo no meio da luta, o povo não perde o humor!
[Verso 2]
Chegou o fim do mês, o salário já caiu,
Pagou água, luz e renda, olha só, já sumiu!
A lista do mercado parece lista de casamento,
O preço do tomate quase provoca sofrimento.
A gasosa está cara, o peixe também subiu,
A senhora olha para o bolso: “Quem foi que me mentiu?”
O vizinho pede açúcar, o primo pede dinheiro,
E aquele que está desempregado diz: “Kota, sou teu parceiro!”
[Refrão]
Ai, ai, ai, Angola minha!
A vida está difícil, mas ninguém caminha sozinho.
Ai, ai, ai, meu povo querido,
Com pouco no bolso, mas coração atrevido!
Dança, meu kota, deixa a tristeza passar,
Amanhã é outro dia, vamos continuar!
[Verso 3 — humor e crítica social]
Na segunda é reunião, na terça é formação,
Na quarta pedem relatório, na quinta apresentação.
Na sexta o chefe pergunta: “Então, como está o trabalho?”
E tu respondes com sorriso, escondendo o embaraço.
O jovem tem diploma, tem vontade de vencer,
Mas manda tantos currículos que já se esqueceu de escrever!
A tia diz: “Tem paciência, meu filho, vai aparecer!”
E o tio responde: “Com paciência, também temos de comer!”
[Ponte — mais sentimental, com guitarra suave]
Mas olha para a mamã, com as mãos cheias de calos,
Que transformou pouco pão em tantos bons bocados.
Olha para o papá, que esconde a preocupação,
Para não deixar os filhos verem a dor no coração.
Somos filhos desta terra, temos força para lutar,
Mesmo quando falta tudo, ainda encontramos como amar.
E se a vida nos aperta, não deixamos de sorrir,
Porque o povo angolano nasceu também para resistir!
[Refrão final — coro forte, palmas e dikanza]
Ai, ai, ai, Angola minha!
Da Maianga ao Sambizanga, ninguém dança como a nossa gente!
Ai, ai, ai, meu povo querido,
Na alegria e na tristeza, estamos sempre unidos!
Dança, meu kota, bate a palma na mão,
Semba é a nossa história, é cultura e tradição!
Eh, Angola, Angola, minha terra de amor,
O povo sofre, o povo luta, mas não perde o seu valor!
[Final — falado, com humor]
Eh, meu kota, amanhã tem trabalho!
Quem tem candongueiro, acorda cedo!
Quem tem chefe, não chega atrasado!
E quem recebeu salário…
Esconde só um bocadinho antes que a família descubra!
Eh, Angola! Toca o semba! 🇦🇴
Ass.: Flor sem Nada