O Farol Do Fim Do Mundo
A Contos Do Mar Sem Fim
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O Farol Do Fim Do Mundo
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A Contos Do Mar Sem Fim
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Letra:
O FAROL DO FIM DO MUNDO
[Verso 1 — Voz masculina grave]
Partimos do porto numa noite sem lua,
Com o vento cortando e a maré quase crua.
O capitão consultou seu mapa amarelado,
Havia um farol num rochedo isolado.
Diziam os velhos, bebendo no cais,
Que aquele lugar não recebia ninguém mais.
Mas ouro e aventura chamavam por nós,
E o mar levou longe nossa última voz.
[Refrão — Tripulação em coro]
Ô, içai as velas, deixai o vento chamar!
Rema, marinheiro, atravessa esse mar!
Bate o pé no convés, faz a noite estremecer!
Quem nasceu entre as ondas não aprende a ceder!
Ô, puxa a corda, segura o timão!
Há fogo no farol e trovões na escuridão!
Enquanto houver braços e força pra remar,
Nenhum medo do mundo nos fará voltar!
[Verso 2 — Acordeão e fiddle]
Na terceira noite, uma luz apareceu,
Três vezes brilhou, depois desapareceu.
O vigia gritou: Terra à vista, senhores!
Mas não havia porto, nem árvores, nem flores.
Só um farol de pedra, rachado e sombrio,
Erguido sozinho sobre o abismo vazio.
Uma porta rangia, sem ninguém para abrir,
E ouvimos um sino que não parava de rir.
[Refrão — Mais forte]
Ô, içai as velas, deixai o vento chamar!
Rema, marinheiro, atravessa esse mar!
Bate o pé no convés, faz a noite estremecer!
Quem nasceu entre as ondas não aprende a ceder!
Ô, puxa a corda, segura o timão!
Há fogo no farol e trovões na escuridão!
Enquanto houver braços e força pra remar,
Nenhum medo do mundo nos fará voltar!
[Verso 3 — Sombrio, com sinos distantes]
Subimos as pedras com lanternas na mão,
Encontramos pegadas que acabavam no chão.
No alto da torre, um livro esquecido
Guardava os nomes de barcos perdidos.
E na última página, escrita em carvão,
Estavam os nomes de toda a tripulação.
O capitão empalideceu ao ler,
Pois o nome seguinte era o dele a aparecer.
[Verso 4 — Ritmo acelerado]
Desce! Desce! Que o rochedo vai rachar!
Corre para o barco! Temos que zarpar!
O farol se acendeu sem fogo ou pavio,
E uma sombra gigante se ergueu do vazio!
Segura o mastro! Protege o porão!
A água está subindo por toda a embarcação!
Um tentáculo enorme golpeou o costado,
E o céu se partiu num clarão azulado!
[Refrão — Coro explosivo]
Ô, puxa a corda, não deixa afundar!
Há um monstro desperto no fundo do mar!
Bate o pé no convés, faz a madeira tremer!
Não deixem as trevas nos fazer desaparecer!
Ô, vira o leme, enfrenta o trovão!
Mantém firme a coragem, protege o irmão!
Enquanto houver vida e voz pra cantar,
Nenhuma criatura vai nos silenciar!
[Verso 5 — Voz grave e dramática]
O capitão lembrou das palavras do livro:
O farol mantinha aquele horror adormecido.
Não era um tesouro que o lugar escondia,
Mas uma prisão antiga que jamais se abria.
Ele voltou à torre com o sino na mão,
Enquanto seus homens lutavam contra a escuridão.
Tocou três vezes, como a luz ordenava,
E a criatura rugiu enquanto a torre desabava.
[Ponte — Lenta, vozes profundas]
Um toque pela noite...
Dois toques pelo mar...
Três toques pelo mundo...
E o silêncio a voltar...
O farol se apagou, a tormenta cedeu,
E o monstro nas águas lentamente desceu.
O capitão voltou, sem ouro ou troféu,
Mas com todos os homens sob o mesmo céu.
[Refrão final — Grande coro masculino e feminino]
Ô, içai as velas, deixai o vento cantar!
Sobrevivemos à noite que engoliu o mar!
Bate o pé no convés, deixa a história viver!
Nem os monstros das trevas nos farão ceder!
Ô, içai nossa bandeira, que o dia nasceu!
O farol está morto, o perigo adormeceu!
Com os braços erguidos e a voz a ecoar,
Somos filhos das ondas, ninguém vai nos calar!
Ôôô! Que os tambores façam o oceano tremer!
Ôôô! Que os antigos nos vejam vencer!
Enquanto houver vento, coragem e mar,
Nossa canção para sempre irá navegar!
[Outro — Coro distante, acordeão e ondas]
Se vires uma luz no horizonte distante,
Não sigas seu brilho, não avances adiante.
Pois há coisas dormindo no fundo do mar...
Que é melhor para sempre deixar descansar...
Ôôô... deixai o vento soprar...
E o farol do fim do mundo voltar a sonhar...