Uma Noite numa Casa de Roça Sem Luz — Do Último Clarão ao Canto do Primeiro Galo
Os Antigos Também
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Uma Noite numa Casa de Roça Sem Luz — Do Último Clarão ao Canto do Primeiro Galo
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Sem energia elétrica, o dia acabava quando o sol acabava. E tudo era organizado em volta disso.
O último clarão era hora de trabalho. Buscar água, fechar galinheiro, trancar o curral, rachar lenha pro dia seguinte. O que não estava feito às seis não ia ser feito.
A lamparina de querosene acendia depois. Dava luz pra umas duas pessoas em volta da mesa, e só. Fora daquele círculo, a casa inteira ficava escura.
Por isso a vida da noite acontecia num cômodo só. Todo mundo junto, e quem queria ir até o quarto levava a lamparina ou ia no escuro.
A ceia era cedo e simples: café com farinha, o que sobrou do almoço, broa.
Depois vinha a conversa. Caso de assombração, história de parente, o que o vizinho falou na venda. Era entretenimento e era também o jeito de passar informação adiante.
Dormia-se cedo, entre oito e nove. Não por disciplina, por economia de querosene.
A noite tinha som próprio. Grilo, bicho no telhado, cachorro latindo pra alguma coisa que ninguém via.
Quem acordava de madrugada ia pro quintal, porque banheiro era fora, e aprendia a andar aquele caminho sem enxergar nada.
Aí o galo cantava e tudo recomeçava, com o fogão aceso antes do sol aparecer.