Eu sou Soldado, Não sou Pedra
Reino de Portugal
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Eu sou Soldado, Não sou Pedra
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Reino de Portugal
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Ferro frio na mão
Poeira presa no pulmão
O sino chama além do muro
E eu marcho para o escuro
Saio cedo do pátio da vila
A fivela risca a minha pele
Minha mãe fica à janela
Sem prometer que eu volto a vê-la
Levo pão duro, água e medo
Um medalhão cosido no gibão
Cada passo pesa no terreno
Cada ordem fecha o coração
Se a lâmina decide quem somos
Que sobra quando a luta acabar?
Eu sou soldado, não sou pedra
Tenho um nome para guardar
Entre muralhas e terra vermelha
Ainda escolho regressar
Eu sou soldado, ouço a guerra
A crescer dentro de mim
Se a noite me roubar a voz
Que a minha casa fale por mim
No campo, o vento traz cinza
E o estandarte perde a cor
Vejo um rapaz do outro lado
Com a mesma idade e o mesmo temor
O capitão manda avançar
O chão treme sob o metal
Mas por um instante, antes do golpe,
Vejo nos olhos dele o meu quintal
Se a lâmina decide quem somos
Que sobra quando a luta acabar?
Eu sou soldado, não sou pedra
Tenho um nome para guardar
Entre muralhas e terra vermelha
Ainda escolho regressar
Eu sou soldado, ouço a guerra
A crescer dentro de mim
Se a noite me roubar a voz
Que a minha casa fale por mim
Não sou coroa
Não sou altar
Não nasci para obedecer sem pensar
Pé no barro
Pulso a tremer
Há uma vida que eu quero defender
Quando o sino tocar distante
E a fumaça deixar o ar
Vou contar cada rosto perdido
Sem deixar ninguém apagar
Eu sou soldado, não sou pedra
Tenho um nome para guardar
Entre muralhas e terra vermelha
Ainda escolho regressar
Eu sou soldado, contra a guerra
Que me quer vazio por dentro
Se eu voltar pela estrada antiga
Levo a paz como juramento
Ferro frio na mão
Mas ainda bate o coração
A vila acende uma janela
E eu marcho de volta para ela