Apenas alguns quilômetros que a humanidade ainda não consegue superar
Rafael Almeida
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Apenas alguns quilômetros que a humanidade ainda não consegue superar
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Rafael Almeida
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A travessia parece simples no mapa: em alguns pontos, Europa e África ficam separadas por apenas alguns quilômetros de água. Mas o Estreito de Gibraltar reúne quase tudo o que pode transformar uma obra de engenharia em um pesadelo. Primeiro vem o tráfego marítimo. Mais de cem mil navios passam por essa região todos os anos, incluindo enormes cargueiros e petroleiros, e qualquer construção teria de deixar esse corredor completamente livre. Depois aparece o problema escondido no fundo do mar. As placas tectônicas africana e eurasiática se encontram justamente nessa área, terremotos fazem parte da história da região e existem camadas de solo instável que dificultam a instalação de estruturas gigantescas. E, mesmo que os engenheiros resolvessem tudo isso, ainda restaria a política. Gibraltar continua sob controle britânico, enquanto Espanha e Marrocos mantêm antigas disputas territoriais envolvendo Gibraltar, Ceuta e Melilla. Ao longo de quase um século surgiram propostas muito diferentes: um túnel ferroviário, uma ponte com um vão de cerca de cinco quilômetros e até um túnel flutuante suspenso a aproximadamente duzentos metros de profundidade, ligado a uma ilha artificial com porto, hotéis, turbinas eólicas e geração de energia pelas marés. Algumas dessas ideias custariam dezenas de bilhões de dólares e exigiriam soluções nunca utilizadas nessa escala. Neste vídeo veremos por que uma distância tão pequena continua separando dois continentes, por que vários projetos foram abandonados e se um túnel sob o Estreito de Gibraltar tem mais chances de se tornar realidade do que a gigantesca ponte sonhada há décadas